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“Sorvete de Formiga” pode levar dono de restaurante Michelin a prisão

Formigas secas importadas eram usadas como cobertura de sobremesa em restaurante com duas estrelas Michelin, na Coreia do Sul.

O uso de formigas usadas como cobertura de sobremesas colocaram o proprietário de um restaurante com duas estrelas Michelin, em Seul, na Coreia do Sul, diante da possibilidade de cumprir um ano de prisão. Em audiência realizada na segunda-feira (20), a Promotoria pediu a condenação do responsável por violação da Lei de Higiene Alimentar. O nome do acusado e o estabelecimento não foram divulgados oficialmente pelas autoridades sul-coreanas.

Segundo a acusação, o restaurante importou formigas secas dos Estados Unidos e da Tailândia desde 2021 e teria servido cerca de 49 mil insetos em aproximadamente 12.200 porções de sorvete ou sherbet. Os animais eram colocados sobre a sobremesa para acrescentar acidez ao sabor. Embora o prato fosse preparado pelo chef, os promotores denunciaram o proprietário como responsável pela operação do estabelecimento. A reportagem ressalta que não está claro se o chef também é o dono.

Formigas não são autorizadas para consumo

A legislação da Coreia do Sul permite o consumo de apenas dez espécies de insetos, entre elas gafanhotos e pupas de bicho-da-seda. Formigas não fazem parte da lista autorizada. Para utilizar espécies diferentes, restaurantes e fabricantes precisam obter aprovação especial das autoridades sanitárias, procedimento que não teria sido adotado no caso.

A Promotoria também pediu multa de 20 milhões de wones, equivalente a cerca de US$ 13,5 mil, para a empresa responsável pelo restaurante. Os investigadores estimam que as sobremesas com formigas tenham gerado aproximadamente 120 milhões de wones, cerca de US$ 81,4 mil, ao longo de quatro anos.

Clientes sabiam o que estavam comendo

A defesa admitiu a maior parte dos fatos, mas contestou os números apresentados pela acusação. Os advogados afirmaram que somente cerca de 60% dos clientes aceitaram receber as formigas e que o ingrediente era identificado claramente no cardápio. Também alegaram que o chef conheceu a receita nos Estados Unidos e na Europa e não sabia que o uso dos insetos dependia de autorização na Coreia do Sul.

O consumo de insetos também é defendido como fonte alternativa de proteína por exigir menos recursos do que a criação de animais convencionais. Apesar desse debate, o restaurante será julgado conforme as normas alimentares vigentes na Coreia do Sul. A sentença está prevista para 2 de setembro de 2026.

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