Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Bancários grevam nesta sexta (04/09) no Pará; Banpará fica de fora da greve

Cerca de 7 mil bancários e bancárias irão paralisar os serviços no Pará a partir desta sexta-feira (4), primeiro dia da greve da categoria no estado. A ação foi aprovada em uma assembleia geral realizada na noite da última segunda-feira (31). O Banco do Estado do Pará (Banpará) ficou de fora do movimento, após os trabalhadores aprovarem uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Segundo a categoria, os trabalhadores estão distribuídos pela rede bancária do estado, que inclui agências e postos de atendimento. A paralisação ocorre após a rejeição da última proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), depois de 13 rodadas de negociações específicas.

CONTEÚDOS RELACIONADOS:

A proposta prevê reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescida de aumento real de 0,6% para 2026 e 2027. O mesmo índice seria aplicado aos vales-alimentação (VA), vale-refeição (VR), auxílio-creche ou babá e à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tanto na parcela básica quanto na adicional.

O índice oficial do INPC referente à data-base da categoria, em 1º de setembro, será divulgado no próximo dia 11. A partir do indicador será possível calcular o reajuste definitivo dos salários e demais verbas. A estimativa é de que a inflação fique próxima de 4%.

Lucros dos bancos e redução de empregos

A categoria também critica os resultados financeiros registrados pelo setor bancário nos últimos anos. Em 2025, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander Brasil somaram R$ 124 bilhões em lucro líquido.

De acordo com os dados apresentados pelos trabalhadores, entre 2020 e 2025, os bancos públicos tiveram crescimento de 46% no lucro líquido, enquanto os bancos privados registraram alta de 114%.

Ao mesmo tempo, o setor reduziu o número de trabalhadores e de unidades físicas. Desde 2016, mais de 83,5 mil postos de trabalho foram eliminados. Desde 2015, também foram fechadas mais de 8,5 mil agências, o que representa uma redução de 37% na rede física.

Quer mais notícias do Pará? Acesse nosso canal no WhatsApp

Proposta também prevê mudanças nas condições de trabalho

Além das questões econômicas, a Fenaban apresentou medidas relacionadas à saúde, segurança e condições de trabalho.

Entre os pontos estão a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais previsto na nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), com foco na prevenção do adoecimento mental.

A proposta também prevê a ampliação do canal de combate ao assédio moral e sexual para receber denúncias de atos praticados por clientes contra funcionários dos bancos.

Outro ponto trata do monitoramento digital no ambiente de trabalho. A intenção é estabelecer maior transparência e limites para ferramentas de vigilância, além de garantir aos trabalhadores o direito a feedback.

A chamada política de direito à desconexão também está entre as medidas. O objetivo é assegurar que bancários não sejam obrigados a responder mensagens ou atender demandas de clientes e gestores fora da jornada de trabalho.

A Fenaban ainda garantiu o abono do dia de paralisação realizado em 20 de agosto para as bases que aprovarem as propostas nas respectivas assembleias.

Banco da Amazônia terá assembleia nesta sexta

No Banco da Amazônia (Basa), as negociações específicas acontecem em Belém. A proposta apresentada pela direção da instituição na terça-feira (2) será submetida a uma assembleia virtual no fim desta sexta-feira (4).

Nas cláusulas econômicas, o Basa acompanha a proposta da Fenaban, com reposição integral do INPC mais aumento real de 0,6% para 2026 e 2027.

Entre os pontos específicos apresentados pelo banco está a antecipação da PLR de 2026. A instituição propõe um abono pecuniário de R$ 16,77 milhões, distribuído entre os empregados elegíveis com base na folha de julho. O pagamento está previsto para ocorrer até esta sexta-feira (4), caso a proposta do ACT e do acordo específico de PLR seja aprovada.

A proposta também prevê a possibilidade de suspensão, por até seis meses, das cobranças de empréstimos consignados do programa CHESAL – Amazônia Salário, mediante solicitação do empregado. O banco ainda deverá apresentar, em até 30 dias, um estudo para um programa de renegociação de dívidas.

Na área de saúde e qualidade de vida, estão previstas a atualização das faixas de reembolso do Programa de Assistência à Saúde e a ampliação de vagas nos programas Corredores em Ação, de 200 para 300 participantes, e Ver-o-Peso, de 500 para 800.

O Basa também propõe a implantação ou atualização do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) em 2027, conforme as diretrizes da NR-1.

Concurso e capacitação

Na área de carreira e capacitação, a proposta prevê a abertura, em até 30 dias, de seleção para 430 vagas educacionais. Serão 300 oportunidades para cursos de idiomas, 100 para graduação e 30 para pós-graduação, mestrado ou doutorado.

O banco também sinalizou o compromisso de realizar concurso público em 2027 para formação de cadastro de reserva, contemplando cargos de nível médio e profissionais da área de Tecnologia da Informação.

Entre as demais medidas estão a formação obrigatória de gestores em diversidade e mediação e a criação de um novo modelo de avaliação de desempenho em até 180 dias.

A proposta do Basa ainda inclui a prorrogação automática da licença-maternidade para 180 dias, o aprimoramento dos canais de combate ao assédio em até 120 dias, o abono da paralisação de 20 de agosto e o abono da ausência dos empregados em 31 de dezembro de 2026.

Também está prevista uma avaliação para ampliar para até 30 dias o prazo de adequação do banco de horas.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads