Documento divulgado durante a Assembleia Mundial da Saúde alerta que países ainda falham na preparação para futuras emergências sanitárias e destaca desigualdade no acesso a vacinas e desinformação como desafios centrais.
Mesmo após enfrentar crises sanitárias devastadoras, como o surto de Ebola e a pandemia de COVID-19, o mundo ainda não está preparado para responder de forma eficiente a novas ameaças globais à saúde. O alerta foi feito em um relatório recente do Global Preparedness Monitoring Board (Conselho Global de Monitoramento da Preparação), divulgado durante a World Health Assembly.
O documento aponta que a capacidade global de resposta não evoluiu no mesmo ritmo que os riscos sanitários, deixando países vulneráveis a novas pandemias que podem provocar impactos ainda mais severos na saúde pública, na economia e na estabilidade social.
O relatório ganha relevância em um momento em que surtos de doenças infecciosas têm se tornado mais frequentes e mais difíceis de controlar. Além disso, persistem desigualdades no acesso a vacinas, testes e tratamentos, enquanto a confiança da população em governos e instituições científicas segue abalada em diversas partes do mundo.
Falhas persistem há mais de uma década
Segundo o levantamento, mais de dez anos se passaram desde o surto de Ebola, que já havia exposto fragilidades graves nos sistemas de resposta a emergências sanitárias. Desde então, a pandemia de Covid-19 evidenciou que muitos desses problemas continuam sem solução.
Apesar dos avanços científicos e tecnológicos registrados nos últimos anos, a estrutura global de enfrentamento a pandemias ainda é considerada frágil e insuficiente para responder rapidamente a novas crises.
Entre os principais problemas apontados estão a falta de investimentos contínuos em saúde pública e a ausência de coordenação internacional eficiente entre os países.
Desigualdade no acesso a vacinas preocupa
Um dos dados destacados no relatório mostra que países de baixa renda levaram, em média, 17 meses para receber vacinas contra a Covid-19 após o início da pandemia.
O atraso ampliou a vulnerabilidade dessas populações e permitiu a continuidade da circulação do vírus, aumentando o risco do surgimento de novas variantes.
O relatório reforça que a desigualdade no acesso a imunizantes e tratamentos continua sendo um dos maiores obstáculos para uma resposta global mais eficaz diante de futuras emergências.
Desinformação também agrava crises
Outro ponto de preocupação é o avanço da desinformação durante emergências sanitárias. Segundo o documento, notícias falsas e a politização das medidas de saúde dificultaram a adesão da população a ações preventivas em diversos países.
A falta de confiança nas instituições também comprometeu estratégias de controle e atrasou respostas em momentos decisivos da pandemia.
Impactos vão além da saúde
As consequências das falhas na preparação global não se limitam ao setor da saúde. O relatório destaca que crises sanitárias recentes provocaram recessão econômica, aumento do desemprego e agravamento da pobreza em diferentes regiões do planeta.
Também houve reflexos políticos e sociais, com aumento da instabilidade e dificuldades na implementação de políticas públicas.
Cooperação global é apontada como solução
O Global Preparedness Monitoring Board reforça que a cooperação internacional será fundamental para evitar novos colapsos sanitários no futuro.
Entre as medidas consideradas essenciais estão o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde, a ampliação do acesso igualitário a vacinas e tratamentos e o combate à desinformação.
O alerta final do relatório é claro: sem ações coordenadas entre governos, organizações internacionais e sociedade civil, o mundo continuará vulnerável diante da próxima grande crise sanitária.
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