Entre corredores lotados, burocracias que parecem intermináveis e o desespero de famílias que aguardam por respostas, a rotina das unidades de pronto atendimento volta a ser questionada na Região Metropolitana de Belém. Em Ananindeua, a morte do jovem Luiz Felipe, de apenas 18 anos, reacendeu denúncias sobre falhas de atendimento no sistema público de saúde, especialmente na condução de pacientes que dependem de transferência para hospitais especializados.
O caso ganhou repercussão após familiares denunciarem supostas falhas no atendimento prestado em uma UPA de Ananindeua, na Cidade Nova 2. A denúncia ganhou ainda mais peso após a Defensoria Pública relatar irregularidades no processo de atendimento e confirmar a ausência de procedimentos considerados fundamentais para a tentativa de transferência do paciente.
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FALTA DE DOCUMENTOS TERIA ATRASADO TRANSFERÊNCIA
Em entrevista exclusiva à RBATV, a assistente social Francinete Cruz, ligada à Defensoria Pública, revelou ter acompanhado parte da situação enfrentada pela família e afirmou que encontrou obstáculos considerados básicos no processo de regulação do paciente. Segundo ela, Luiz Felipe sequer estava cadastrado nas centrais de leitos quando o pai buscou orientação jurídica para tentar acelerar a transferência.
De acordo com o relato, também não havia laudo médico fundamentado, documento essencial para solicitar vaga em unidades de referência. Francinete afirmou que orientou a família sobre os procedimentos necessários e chegou a manter contato com profissionais da UPA.
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Uma dentista da unidade teria informado que o jovem seria encaminhado ao Pronto-Socorro da 14 para realização de drenagem, procedimento considerado importante diante do quadro infeccioso. No entanto, segundo a assistente social, a transferência nunca ocorreu.
DEFENSORIA RELATA PROBLEMAS RECORRENTES NAS UPAS
Durante entrevista, Francinete Cruz afirmou que situações semelhantes são frequentes nas unidades de saúde de Ananindeua. Segundo ela, a Defensoria Pública recebe constantemente reclamações relacionadas à dificuldade de obtenção de laudos médicos e à demora em encaminhamentos hospitalares.
Ela relatou ainda que, no mesmo plantão, enfrentou problemas em outra UPA do município por conta da negativa de um médico em fornecer documentação necessária para atendimento jurídico de um paciente.
FAMÍLIA ACUSA NEGLIGÊNCIA MÉDICA
Abalada, a família de Luiz Felipe acusa a unidade de negligência médica. A avó do jovem chegou a fazer apelos públicos por ajuda enquanto ele ainda estava internado.
Segundo os familiares, a única resposta definitiva recebida da equipe médica foi a notícia da morte do rapaz, registrada na última segunda-feira (11).
O pai do jovem teria buscado auxílio após oito dias de internação sem avanço no tratamento. Para comentaristas que acompanharam o caso, o período foi excessivo diante da gravidade clínica apresentada pelo paciente.
ESTRUTURA DA SAÚDE PÚBLICA VOLTA AO DEBATE
O caso também trouxe novamente à discussão a situação do pronto-socorro localizado na avenida Mário Covas com a Transcoqueiro, citado como possível unidade de suporte para desafogar as UPAs da região.
Críticos afirmam que, se o hospital estivesse operando plenamente como unidade de retaguarda, pacientes em estado delicado poderiam ser transferidos mais rapidamente, evitando longas permanências nas unidades de pronto atendimento.
Enquanto a família aguarda esclarecimentos e possíveis responsabilizações, o caso de Luiz Felipe se transforma em mais um símbolo da crise enfrentada por usuários do sistema público de saúde em Ananindeua.
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