Maior produtor de cacau do Brasil e referência no cultivo em sistema agroflorestal, o Pará segue consolidando a posição no mercado de chocolate fino ao valorizar o sabor autêntico da amêndoa amazônica. Durante o Festival Internacional do Chocolate e do Cacau, realizado no fim de abril, visitantes puderam degustar produtos com teor de cacau entre 40% e 90%, destacando o sabor autêntico da amêndoa amazônica.
A nova Lei nº 15.404/2026, que estabelece um mínimo de 35% de cacau em chocolates gerais e 25% para chocolate ao leite, já reflete práticas adotadas há anos por produtores locais. Entre os exemplos de excelência está a Da Cruz Chocolate, única fábrica de chocolate de origem na Região Metropolitana de Belém, instalada no bairro do Atalaia, em Ananindeua. Segundo o agrônomo e chocolateiro Flávio Cruz, o chocolate da fábrica tem teor mínimo de 56% de cacau, e a legislação “é boa para o produtor e para o consumidor”.
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Filho de Flávio, Samuel Cruz, responsável pela área comercial e visitas guiadas, afirma que a lei praticamente não altera o trabalho da empresa. “Além do percentual de cacau já utilizado, o rótulo contém informações claras ao consumidor. O chocolate de verdade tem propriedades importantes para a saúde. Chocolate não é só porcentagem. É origem, é terruá, é fermentação mais bem feita, é respeito ao produtor e sabor real”, disse.
Ao lado da fábrica, a Da Cruz mantém uma pequena plantação de cacau cultivada em sistema agroflorestal, sem agrotóxicos, que abastece parte da produção. A maior parte da amêndoa, explica a diretora-geral Chiara Cruz, é adquirida de produtores que seguem os mesmos cuidados adotados pela empresa. “Trabalhamos com chocolate de origem. Temos uma pequena plantação própria, mas compramos a maior quantidade de produtores que tratam a amêndoa da mesma forma que nós”, detalhou.
O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, ressaltou que o Estado já cumpre os parâmetros legais e que o impacto maior da lei será no aumento da compra de amêndoas por parte das indústrias, favorecendo especialmente os produtores familiares. “A legislação trouxe boas expectativas aos produtores do Pará, pois quanto maior o consumo, melhor a participação no lucro desse chocolate vendido. Então favorece ao consumidor e ao pequeno produtor”, afirmou.
Segundo especialistas, a nova lei impacta mais a indústria do que os produtores artesanais. Jesus Nazareno Souza, coordenador do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), ligado à UFPA, explica que as grandes marcas terão que usar mais cacau real para atender à legislação, enquanto os chocolateiros finos já seguem esses padrões. “A indústria terá que colocar de fato cacau para poder chamar de chocolate”, disse.
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Ivaldo Santana, engenheiro agrônomo e coordenador do Procacau da Sedap, reforçou o benefício para os produtores de amêndoa. “Antes, a indústria comprava menos cacau. Agora, terá que adquirir mais para garantir os 35% mínimos, o que beneficia o produtor de amêndoa do Pará e do Brasil. Nosso chocolate artesanal nunca usou menos de 35%”, afirmou.
Dessa forma, o Pará se consolida não apenas como maior produtor nacional, mas também como referência em chocolate de origem, sustentável e premiado, valorizando o cacau nativo da Amazônia e fortalecendo toda a cadeia produtiva.







