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Brasil celebra 10 anos do CT Paralímpico, símbolo de inclusão e alto rendimento

23.05.26 – Meeting Paralímpico Loterias Caixa de Natação na Arena Pantanal em Cuiabá, Mato Grosso. Foto: Igor Fonseca/CPB

O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo, completou dez anos neste sábado (23) como um dos maiores símbolos do esporte paralímpico nacional. Mais do que um complexo esportivo de alto rendimento, o espaço se consolidou como um ambiente de inclusão e transformação social. Além disso, também é um local de desenvolvimento de atletas que hoje colocam o Brasil entre as principais potências paralímpicas do mundo.

Inaugurado oficialmente em 23 de maio de 2016, às vésperas dos Jogos Paralímpicos do Rio, o CT nasceu com uma missão ambiciosa. Seu objetivo era oferecer ao paradesporto brasileiro uma estrutura de nível internacional. Assim, garantir que atletas com deficiência tivessem acesso às mesmas condições de preparação encontradas nas maiores competições do planeta.

Uma década depois, o projeto mostra resultados que vão muito além da arquitetura e dos números.

Localizado no Parque Fontes do Ipiranga, na zona sul da capital paulista, o Centro ocupa 95 mil metros quadrados. Ele abriga instalações indoor e outdoor para treinamentos, competições e intercâmbios em 20 modalidades paralímpicas. O espaço reúne pista de atletismo, centro aquático, quadras adaptadas, salas de treinamento, áreas de medicina e ciência do esporte. Além disso, oferece hotelaria com aproximadamente 300 leitos, refeitório e estrutura de apoio para atletas e equipes.

Para o vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Yohansson do Nascimento, o impacto do CT representa uma mudança histórica no esporte nacional.

“O esporte paralímpico brasileiro hoje tem uma casa. Muitos atletas começaram treinando sem estrutura adequada. Hoje, eles encontram aqui instalações do mais alto nível internacional, semelhantes às de Jogos Paralímpicos. Isso muda completamente a preparação e a vida desses atletas”, afirmou.

Desde sua inauguração, o Centro de Treinamento se transformou em palco de grandes conquistas. Ao longo desses dez anos, 67 recordes mundiais foram estabelecidos em suas pistas, piscinas e campos. Isso reforça a importância do local na evolução do esporte paralímpico brasileiro.

Entre os nomes que ajudaram a escrever essa história está o paraibano Petrúcio Ferreira, considerado o atleta paralímpico mais rápido do mundo. Foi no CT que ele alcançou alguns de seus resultados mais expressivos. Por exemplo, em março de 2022, Petrúcio quebrou dois recordes mundiais em menos de 24 horas ao completar os 100 metros da classe T47 em 10s29 e os 200 metros em 20s83.

“Competir no CT Paralímpico é competir em casa. Muitos dos meus melhores resultados foram feitos aqui, graças ao acolhimento e à estrutura que o local oferece”, destacou o tricampeão paralímpico.

A história do Centro também passa pela trajetória da paulista Beth Gomes, maior recordista do CT, com 17 marcas mundiais alcançadas no local. Seu recorde mais recente foi registrado em junho de 2024, no lançamento de disco da classe F53, com a marca de 18,45 metros.

Na piscina, outro protagonista é o mineiro Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, dono de oito recordes mundiais conquistados no CT Paralímpico. Já a velocista maranhense Rayane Soares brilhou no Troféu Brasil de Atletismo de 2025. Ela estabeleceu novos recordes mundiais nos 100m e 200m da classe T13.

A nova geração também já deixa sua marca. Em dezembro do ano passado, a paulista Alessandra Oliveira, de apenas 17 anos, registrou o recorde mundial mais recente do Centro. Isso aconteceu nos 100 metros peito da classe SB4.

O crescimento do CT acompanha a evolução do Brasil no cenário internacional. Em Paris 2024, o país alcançou sua melhor campanha da história em Jogos Paralímpicos, terminando na quinta colocação geral, com 88 medalhas.

Os números do próprio Centro ajudam a dimensionar sua expansão. Em 2017, o local sediou 172 eventos esportivos. Dois anos depois, o total saltou para 413 atividades. Em 2024, o CT recebeu mais de 38 mil pessoas em 152 eventos. Além disso, recebeu milhares de atletas em treinamentos e mais de 200 mil refeições servidas em sua estrutura hoteleira.

A construção do Centro foi aprovada em 2013, com investimento de R$ 264,2 milhões dos governos federal e estadual. Desde 2017, a gestão é realizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. O comitê teve a concessão renovada por mais 35 anos em parceria com o Governo do Estado de São Paulo.

Além da excelência esportiva, o espaço também conquistou reconhecimento pela gestão e sustentabilidade. Dessa forma, mantém certificações internacionais ISO 9001 e ISO 14001, relacionadas à qualidade dos serviços, gestão ambiental e realização de eventos.

Dez anos após abrir as portas, o CT Paralímpico segue sendo mais do que um centro de treinamento. Ele se tornou um espaço onde histórias de superação ganham estrutura, oportunidades e alcance internacional. Este é um legado que continua formando atletas, quebrando recordes e ampliando a inclusão por meio do esporte.

 fonte: CT Paralímpico

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