Joia da Belle Époque que resiste na Belém do século 21, o Cinema Olympia chegará aos seus 114 anos na próxima sexta-feira, 24 de abril, bem mais perto de reabrir suas portas e reassumir seu posto como a sala de cinema mais antiga em atividade no Brasil.
Envolto em um longo processo de restauração que devolverá ao prédio algumas de suas características originais, o cinema está com 80% das obras concluídas e passa agora à fase final de acabamentos e equipamentos, de acordo com informação da Prefeitura de Belém, em reportagem publicada no site Agência Belém. A previsão é que a sala seja entregue à cidade no segundo semestre deste ano.
“Estamos na fase final, com revestimentos, pintura, instalação de forros, esquadrias e portas. A parte civil deve ser concluída em breve, dando espaço para a instalação dos equipamentos e mobiliário”, explica a engenheira responsável, Gabriela Cascais.
A obra é executada pela empresa GM Engenharia, com acompanhamento de especialistas e instituições voltadas à conservação do patrimônio. A coordenação do projeto é do Instituto Pedra, com financiamento viabilizado por meio de recursos da Vale, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco da Amazônia, através da Lei Rouanet.
Ao todo, o investimento soma R$ 16.152.270,29 — valor referente ao projeto cultural como um todo, que inclui ações de preservação, memória e requalificação do espaço. “O cinema mais antigo do Brasil completará 114 anos. Apesar de estar inativo desde 2020, é imprescindível a sua preservação, pois trata-se de uma memória cultural de várias gerações.
Sua restauração representa um renascimento cultural, preservando essa herança, educando novas gerações e reacendendo a sétima arte como ponte entre passado e futuro”, declarou a secretária municipal de Cultura, Raphaela Segadilha.
O projeto de restauro teve que lidar com sucessivas camadas de intervenções feitas ao longo dos anos, com transformações arquitetônicas que o fizeram transitar do estilo eclético, com influência neoclássica e art nouveau, para o art déco e, posteriormente, para o modernismo. Tantas interferências acabaram trazendo um capítulo inesperado à obra, quando, durante inspeções estruturais, técnicos identificaram vestígios da fachada original do cinema, o que levou a uma revisão do projeto inicial.
“O arco original estava lá, apenas camuflado pelas intervenções feitas ao longo do tempo. Foi um achado extremamente significativo”, destaca Jorge Pina, arquiteto do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de Belém (Secult).
Pina lembra a origem do cinema num contexto histórico em que Belém estava bastante ligada à Europa, especialmente a Paris, em que a riqueza gerada pela borracha fez aumentar a demanda por espaços culturais, em um território já movimentado por lugares como o Theatro da Paz e a Praça da República.
Além da recuperação de elementos históricos, a obra também buscou trazer o cinema para o século 21, com algumas adequações em sua estrutura interna. Com isso, a sala terá uma considerável diminuição no número de lugares – agora serão 255 poltronas -, abrindo espaço para novidades como um bar interno com estrutura envidraçada, permitindo que o público acompanhe as sessões enquanto consome, sem interferir na plateia principal, e a criação de uma sala de memória, que funcionará como um pequeno museu com peças relacionadas à história do cinema, como o antigo projetor e o piano utilizado na época do cinema mudo.
O instrumento, que pertencia a uma família particular, foi recentemente adquirido pela Prefeitura de Belém para integrar o acervo.
Além disso, destaca a publicação da Agência Belém, o local será dedicado a ações de educação patrimonial, com atividades voltadas à valorização da história do cinema, da cidade e do próprio prédio, conectando diferentes gerações ao legado cultural do Olympia.
De acordo com a Prefeitura de Belém, também foram feitos reforços estruturais nas paredes e a recuperação total do telhado com mantas metálicas, e está prevista ainda a implantação de equipamentos de projeção de última geração, capazes de garantir qualidade técnica compatível com os cinemas contemporâneos.
Ainda não foram divulgadas informações, no entanto, sobre como será o funcionamento e o gerenciamento da sala. Antes do seu fechamento para o restauro, o Olympia mantinha sessões subsidiadas pela Prefeitura Municipal de Belém, com ingressos gratuitos à população, e curadoria de filmes não comerciais, feita em parceria com entidades como a Associação de Críticos de Cinema do Pará.
*Com informações de Agência Belém
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