Hospital busca doação de fezes para tratar pacientes; veja como doar

Foto: HC-UFMG / Divulgação

A doação de fezes saudáveis tem se tornado uma alternativa importante no tratamento de pacientes que enfrentam infecções intestinais graves e recorrentes. No Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), esse material é utilizado no transplante de microbiota fecal, procedimento indicado principalmente para casos de infecção por Clostridioides difficile, bactéria que afeta o cólon e pode causar desde quadros leves de diarreia até inflamações severas e de difícil controle.

O HC-UFMG, que mantém o único centro especializado no Brasil voltado exclusivamente para esse tipo de procedimento, está em busca de voluntários com idade entre 18 e 50 anos para integrar o banco de doadores. O transplante é indicado quando o paciente apresenta resistência ao tratamento convencional ou quando a infecção retorna mesmo após o uso de antibióticos. 

Quem pode se candidatar

Podem se candidatar homens e mulheres sadios de 18 a 50 anos. Os voluntários passarão por entrevista por telefone e exames físico e laboratorial. Interessados podem entrar em contato pelo email transplantedefezeshcufmg@gmail.com.

Como funciona a doação

Após a aprovação em todas as fases de seleção, as fezes doadas passam por um processo de preparo e análise feito por médicos patologistas. O material é tratado e armazenado em um ultrafreezer com temperatura de -80°C, o que permite sua conservação por longo período sem perda da viabilidade.

O tratamento ocorre por meio da infusão desse substrato fecal em forma de solução, aplicada no paciente através de uma colonoscopia convencional. A técnica permite restaurar a microbiota intestinal saudável, favorecendo a recuperação e reduzindo significativamente as chances de novas infecções. A recuperação costuma ser rápida.

Procedimento

Desde 2017, quando o procedimento passou a ser realizado na unidade, 20 pacientes já foram beneficiados, com índice de sucesso de aproximadamente 90%.

Além de ser uma alternativa terapêutica para casos mais complexos, o transplante fecal também integra um protocolo de pesquisa sobre a microbiota intestinal da população brasileira. 

Estudos desenvolvidos no hospital apontam que as fezes de brasileiros apresentam cerca de 30% a mais de firmicutes em comparação com norte-americanos. Esse grupo de bactérias benéficas ajuda na proteção do organismo e pode reduzir o risco de infecções por Clostridioides difficile, além de contribuir no enfrentamento de doenças inflamatórias intestinais, como retocolite e doença de Crohn.

O coordenador do Centro de Transplante Fecal do HC-UFMG, gastroenterologista Eduardo Vilela, explica que o procedimento é realizado dentro de um protocolo rigoroso de pesquisa e segurança.

“É um procedimento off label que a gente conduz dentro de um projeto de pesquisa que foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da UFMG. A seleção do doador começa com um questionário simples. A partir dessas informações, a gente faz uma anamnese estruturada com várias perguntas para que, em um segundo momento, o voluntário faça exames de rotina”, afirma.

Segundo ele, após essa primeira triagem, o candidato ainda passa por uma etapa mais detalhada de exames específicos, incluindo análises laboratoriais das fezes, para garantir total segurança ao paciente que receberá o transplante.

Referência nacional

O Hospital das Clínicas da UFMG foi o primeiro do país a implantar um Centro de Transplante de Microbiota Fecal seguindo protocolos internacionais rigorosos. Além de realizar os transplantes, a unidade também está entre as pioneiras na manutenção de um banco de fezes, estrutura fundamental para ampliar o acesso ao tratamento e fortalecer as pesquisas na área.

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