O júri popular de Imperatriz condenou Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos, oito meses e sete dias de prisão, em regime inicial fechado, pelas mortes de Luiz Fernando, de 7 anos, e Evillyn, de 13, e pela tentativa de homicídio contra a mãe das crianças, Mirian Lira. A sessão foi realizada na segunda-feira, 22 de junho de 2026, no Maranhão.
A sentença foi proferida pelo juiz Fábio da Costa Vilar. A pedido do Ministério Público do Maranhão, a Justiça determinou o início imediato do cumprimento da pena, sem direito de a ré recorrer em liberdade. Jordélia também foi condenada a pagar indenização por danos morais equivalente a 400 salários mínimos a Mirian.
Condenada enviou ovo contaminado
O caso ocorreu em 5 de abril de 2025. Segundo a acusação, Jordélia enviou à residência de Mirian um ovo de chocolate contaminado com veneno, entregue por um mototaxista e acompanhado de um bilhete. As duas crianças consumiram o produto e morreram. Mirian também ingeriu o chocolate, foi hospitalizada e sobreviveu.
Os promotores Tiago Quintanilha Nogueira e Gabrielle Gadelha, da 8ª Promotoria de Justiça Especializada de Imperatriz, sustentaram a acusação por dois homicídios consumados e um homicídio tentado, todos qualificados. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do MPMA.
Durante o julgamento, a defesa alegou que Jordélia não pretendia matar as crianças e classificou o ocorrido como um “acidente”. Os jurados, porém, reconheceram dolo direto contra Mirian, apontada como alvo principal, e dolo eventual em relação aos filhos, por entenderem que a possibilidade de eles consumirem o chocolate era previsível.
Dissimulação e crime praticado contra menores
Na fase anterior ao júri, a Justiça havia reconhecido as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e crime praticado contra menores de 14 anos. Conforme a denúncia, o motivo teria sido ciúme e vingança relacionados ao relacionamento entre Mirian e o ex-companheiro da acusada. O MPMA também afirmou que Jordélia teria usado um perfil falso para ameaçar a vítima.
A condenação foi anunciada em 23 de junho pelo Ministério Público do Maranhão. A defesa ainda poderá apresentar os recursos previstos em lei, mas a ré permanecerá presa durante a tramitação.
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