Moradores de diferentes cidades da Região Norte, especialmente em Belém e Santarém (PA), relataram sensação de prédios oscilando na noite da última quarta-feira (24). Os registros coincidiram com dois fortes terremotos ocorridos na Venezuela, de magnitudes 7,2 e 7,5, que geraram ondas sísmicas sentidas a milhares de quilômetros de distância.
A avaliação é do geofísico e pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Marcos Ferreira, que explica que o fenômeno, embora cause susto, é compatível com a propagação natural de ondas sísmicas em grandes eventos tectônicos.
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Segundo ele, os terremotos liberam grande quantidade de energia que se propaga em todas as direções em forma de ondas mecânicas, atravessando longas distâncias até perder intensidade.
“Quando ocorre uma ruptura na crosta terrestre, essa energia se espalha em forma de ondas. Elas vão se enfraquecendo conforme se afastam do epicentro, mas ainda podem ser percebidas em regiões muito distantes, como o Norte do Brasil”, explica o pesquisador.
O especialista também destaca que dois eventos num curto espaço de tempo são raros, mas não incomuns.
“Não é tão comum dois eventos de magnitudes tão próximas assim, mas você tem normalmente eventos que ocorrem muito próximos. A gente chama de eventos pré-evento principal e pós-evento principal. Então você tem essas e isso é bastante comum, mas os eventos com magnitudes tão similares não são tão comuns assim, mas também não são extremamente raro”, explicou Marcos Ferreira.
Profundidade e magnitude influenciam impacto
De acordo com o especialista, além da magnitude elevada, superior a 7, outro fator importante foi a profundidade dos abalos, registrados em níveis relativamente rasos, o que aumenta a intensidade do tremor próximo à superfície.
“Eventos rasos tendem a ser mais perceptíveis e mais destrutivos na região do epicentro. Já em locais distantes, como o Brasil, o que chega é apenas uma vibração leve, sem potencial de dano estrutural relevante”, afirma.
Ele reforça ainda que não há risco para infraestruturas brasileiras nesses casos, já que a energia chega bastante atenuada após percorrer grandes distâncias.
Prédios altos favorecem percepção dos tremores
Moradores de edifícios em bairros de Belém relataram que a sensação foi mais perceptível em andares elevados. Para o geofísico, isso está relacionado ao comportamento físico das estruturas.
“Prédios mais altos tendem a oscilar mais por efeito de inércia. Isso aumenta a percepção do movimento, mesmo quando a intensidade do tremor é baixa”, explica Marcos Ferreira.
Segundo ele, esse tipo de vibração também pode ser comparado a oscilações causadas por ventos fortes, sem representar risco estrutural quando as edificações seguem normas de engenharia preparadas para esses eventos.
Região da Venezuela é sismicamente ativa
O pesquisador lembra que o norte da Venezuela está localizado em uma zona de intensa atividade tectônica, marcada pela interação entre placas como a do Caribe e a Sul-Americana.
Essa condição geológica favorece a ocorrência de terremotos de grande magnitude, ainda que eventos com essa intensidade não sejam frequentes na mesma área em curtos intervalos de tempo.
Sem risco de impacto no Brasil
Apesar da apreensão entre moradores da Região Norte, o especialista reforça que não há motivo para preocupação quanto a danos estruturais no Brasil.
“As distâncias envolvidas são muito grandes. Quando essas ondas chegam aqui, elas já perderam a maior parte da energia. O que se sente é apenas uma vibração leve, sem capacidade de causar danos”, conclui.
As autoridades brasileiras seguem monitorando a situação, mas, até o momento não há registros de ocorrências ou prejuízos associados aos tremores sentidos no país.
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