A proximidade da Copa do Mundo de 2026 já começa a movimentar expectativas entre trabalhadores, empreendedores e empresas em todo o país. Embora o Pará não esteja entre os locais que receberão partidas do torneio, o evento deve gerar oportunidades de renda em diferentes segmentos da economia local, principalmente por meio do aumento do consumo.
Segundo o economista André Cutrim Carvalho, uma Copa do Mundo costuma movimentar diversos setores simultaneamente e criar um ambiente favorável para o aquecimento temporário da economia.
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“Em primeiro lugar, é importante destacar que a realização de uma Copa do Mundo movimenta diferentes segmentos da economia. No caso do Estado do Pará, os efeitos tendem a aparecer principalmente pelo aumento do consumo associado ao período do evento, sobretudo em bares, restaurantes, supermercados, lojas de bebidas, comércio de alimentos, serviços de entrega por aplicativo, venda de camisas e acessórios, equipamentos eletrônicos e espaços de entretenimento”, afirma.
O economista ressalta que, mesmo sem sediar jogos, o estado deve sentir os reflexos do torneio nos dias de maior mobilização popular. “Embora o Estado do Pará não receba os jogos da competição, a Copa em si cria um ambiente favorável à ampliação temporária da demanda, sobretudo nos dias de partidas da seleção brasileira e de jogos de maior interesse popular.”
Para ele, esse cenário pode representar uma oportunidade importante para trabalhadores informais e pequenos empreendedores.
“Isso deve gerar boas oportunidades de renda para trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes, ambulantes, empreendedores do setor de alimentação, profissionais de eventos, turismo, comunicação, publicidade e serviços em geral.”
André Cutrim Carvalho também aponta que algumas cidades paraenses tendem a concentrar parte significativa desse movimento econômico. “No Pará, esse movimento pode ser ainda mais relevante em cidades com maior dinamismo urbano e turístico, como Belém, Santarém, Marabá, Altamira, Castanhal e municípios com forte circulação comercial.”
Na avaliação do economista, os efeitos da Copa devem ser observados principalmente no comércio e nos serviços.
“Portanto, o impacto econômico da Copa em nosso estado deve ser compreendido menos como um efeito estrutural imediato e mais como uma oportunidade conjuntural de aquecimento do comércio e dos serviços.”
Ele acrescenta que, quando aproveitado de forma adequada, o período pode deixar benefícios que vão além dos dias de competição.
“Quando bem aproveitado, esse período pode fortalecer pequenos negócios, ampliar a renda de trabalhadores informais e estimular estratégias de divulgação, atendimento e organização produtiva que permanecerão úteis mesmo após o encerramento da Copa.”
Setores e profissões com maior potencial de crescimento
Ao detalhar quais atividades devem ser mais beneficiadas, o economista destaca que as oportunidades estarão concentradas em áreas diretamente ligadas ao consumo.
“Os setores mais beneficiados tendem a ser aqueles diretamente ligados ao consumo de alimentos, bebidas, transporte, lazer, artigos esportivos e produtos associados à Copa, além de atividades que envolvem circulação de pessoas e entretenimento.”
Entre os segmentos citados por ele estão supermercados, lojas de bebidas, vestuário, decoração temática e equipamentos eletrônicos. “No comércio, por exemplo, é possível destacar os supermercados, lojas de bebidas, vestuário, decoração temática e equipamentos eletrônicos.”
Nos serviços, a expectativa é de aumento da procura por profissionais de diferentes áreas.
“Nos serviços, bares, restaurantes, lanchonetes, transporte por aplicativo, mototáxi, publicidade, fotografia, sonorização e produção de eventos podem registrar maior demanda.”
O turismo e o entretenimento também aparecem entre os setores apontados pelo economista.
“Também haverá oportunidades no turismo e no entretenimento, especialmente em hotéis, pousadas, agências de viagem, casas de shows, espaços culturais e empreendedores que poderão organizar transmissões ao vivo dos jogos.”
Ele destaca ainda o potencial para trabalhadores autônomos e vendedores informais.
“Da mesma forma, trabalhadores autônomos, ambulantes, vendedores de alimentos, bebidas e produtos personalizados podem se beneficiar, desde que consigam se planejar, ajustar os seus preços e oferecer produtos adequados ao período da Copa do Mundo.”
Efeitos podem durar além do torneio
Apesar de considerar que os maiores impactos costumam ocorrer durante a realização do evento, André Cutrim Carvalho afirma que a Copa pode deixar resultados positivos de longo prazo para quem souber aproveitar o momento.
“Normalmente, os efeitos econômicos de grandes eventos esportivos aparecem de forma mais temporária, porque há aumento do consumo em setores como comércio, alimentação, transporte, hospedagem e entretenimento durante um período específico.”
Ele explica que a movimentação costuma ser mais intensa durante as partidas.
“No caso da Copa do Mundo, esse movimento costuma ser mais forte nos dias de jogos, em especial quando há maior mobilização popular, como certamente irá ocorrer em jogos da seleção brasileira.”
Ainda assim, o economista acredita que existem oportunidades para transformar esse aumento temporário da demanda em ganhos mais duradouros. “No entanto, esses efeitos podem deixar resultados bem positivos de longo prazo, se forem bem aproveitados.”
Segundo ele, isso pode ocorrer por meio da fidelização de clientes e da melhoria dos serviços.
“Isso poderá ocorrer, por exemplo, quando os empreendedores conseguirem fidelizar clientes, melhorar os seus serviços, ampliar a sua presença nas redes sociais e criar novas parcerias comerciais.”
Para o economista, os resultados dependerão mais da capacidade de organização dos empreendedores do que do evento em si.
“Portanto, o impacto não depende apenas do evento em si, mas da capacidade de transformar esse aumento momentâneo da demanda em ganhos mais permanentes.”
Planejamento será decisivo
Ao falar sobre as estratégias para aproveitar o período, André Carvalho afirma que a preparação antecipada é fundamental.
“A principal estratégia é o planejamento, pois é a partir dele que trabalhadores autônomos, empreendedores em geral e comerciantes conseguem se antecipar ao período da Copa e avaliar quais produtos e serviços podem ter maior demanda, particularmente nos dias de jogos da seleção brasileira.”
Ele recomenda a organização dos estoques, a criação de promoções e o investimento em divulgação.
“Nesse sentido, é importante organizar estoques, definir preços de forma equilibrada, criar promoções, melhorar a divulgação nas redes sociais e oferecer produtos associados ao clima da Copa, como camisas, acessórios, decoração temática e serviços de entrega.”
Além disso, o economista destaca a importância da experiência oferecida ao consumidor.
“Outro ponto importante é a qualidade do atendimento. Um grande evento como a Copa do Mundo aumenta consideravelmente a circulação de consumidores, contudo a permanência desses clientes dependerá da experiência oferecida.”
Por isso, ele acredita que alguns negócios poderão transformar uma oportunidade temporária em resultados mais duradouros.
“Dessa forma, quem conseguir unir preço justo, bom atendimento, agilidade e criatividade terá mais condições de transformar uma oportunidade temporária em ganhos duradouros, talvez permanentes.”
Mercado já projeta aumento das contratações
As projeções do mercado de trabalho indicam que o cenário descrito pelo economista já começa a se refletir em números. Segundo a Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), mais de 600 mil vagas temporárias devem ser abertas no Brasil no primeiro semestre de 2026. Entre 150 mil e 200 mil postos são atribuídos diretamente ao chamado “efeito Copa”.
O aumento das contratações acompanha a expectativa de crescimento do consumo. Pesquisa da Data-Makers, realizada com mil brasileiros, aponta que 71% dos consumidores pretendem aumentar os gastos com produtos e serviços durante o Mundial, o que tende a ampliar a demanda por trabalhadores em setores como alimentação, bebidas, comércio, logística e entretenimento.
Na logística, um dos segmentos mais impactados pelo aumento das vendas, levantamento da Mendes Talent mostra que 1.485 vagas ligadas às demandas da Copa já foram abertas desde o início deste ano, reforçando a expectativa de aquecimento do mercado nos meses que antecedem a competição.






