A chegada de um concorrente nacional do Ozempic ao mercado brasileiro promete mexer diretamente no bolso dos consumidores e ampliar o acesso aos tratamentos contra diabetes tipo 2 e obesidade. A farmacêutica EMS anunciou que lançará em cerca de um mês a caneta Ozivy, medicamento à base de semaglutida, mesma substância utilizada pelo Ozempic, da Novo Nordisk. A expectativa é que o produto seja vendido por um valor até 60% menor em relação ao medicamento de referência, segundo estimativas do setor farmacêutico e da indústria de genéricos.
O Ozivy recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta terça-feira (26), inicialmente para tratamento de diabetes tipo 2. A EMS informou, porém, que também solicitará autorização para uso voltado ao emagrecimento e controle da obesidade, mercado que cresceu de forma explosiva nos últimos anos devido à popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”.
Preços inferiores praticados pelas marcas importadas
Segundo o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, o novo medicamento chegará ao mercado com preços inferiores aos praticados atualmente pelas marcas importadas. “Entendemos que nosso preço continuará sendo mais acessível”, declarou o executivo durante entrevista coletiva ao anunciar o lançamento do produto. Hoje, o Ozempic possui preços que variam entre R$ 800 e R$ 1 mil nas versões mais utilizadas no Brasil, dependendo da dosagem e da incidência de impostos estaduais.
A EMS informou ainda que investiu mais de R$ 1 bilhão em uma fábrica de peptídeos sintéticos em Hortolândia, no interior de São Paulo, para ampliar a produção nacional desse tipo de medicamento. A empresa estima capacidade de fabricação de até 40 milhões de canetas por ano, embora a projeção inicial para 2026 seja de cerca de 1,2 milhão de unidades distribuídas no país.
Acompanhamento profissional e com prescrição médica
Apesar da expectativa de redução nos preços, médicos alertam que a semaglutida exige acompanhamento profissional e não deve ser utilizada sem prescrição médica. O medicamento atua no controle da glicemia e também provoca sensação prolongada de saciedade, fator que levou ao aumento da procura por pacientes interessados em emagrecimento rápido. Especialistas reforçam que o uso inadequado pode causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, perda excessiva de massa muscular e problemas gastrointestinais.
Além da EMS, outras farmacêuticas brasileiras e internacionais já anunciaram interesse no mercado da semaglutida. Empresas como Cimed, Prati-Donaduzzi, Biocon, Cipla e Dr. Reddy’s desenvolvem versões próprias do medicamento para os próximos anos.
O mercado de medicamentos para emagrecimento deve crescer ainda mais após o fim da exclusividade da patente do Ozempic e do Wegovy. Analistas avaliam que o aumento da concorrência pode democratizar o acesso ao tratamento, atualmente considerado caro para grande parte da população brasileira.
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