Os afastamentos do trabalho por saúde mental cresceram cinco pontos percentuais em dois anos, passando de 15% em 2023 para 20,1% em 2025. O cenário é apontado pela pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil, levantamento realizado pela Serasa Experian. O avanço é observado em todas as gerações.
De acordo com o estudo divulgado em maio de 2026, 30,6% dos entrevistados da Geração Z — nascidos entre 1997 e 2012 — afirmaram já ter solicitado afastamento por questões de saúde mental em 2025. Em 2023, o percentual era de 28,3%.
O número de afastamentos também cresceu entre os profissionais da geração Millennial — nascidos entre 1981 e 1996. Nesse grupo, o índice subiu de 13% em 2023 para 18,8% em 2025.
Já na Geração X — formada pelos nascidos entre 1965 e 1980 — o percentual passou de 15,5% para 17,5%. Entre os Baby Boomers — nascidos entre 1946 e 1964 — ocorreu o maior crescimento proporcional, de 10,2% para 18,4%.
Para a gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, Fernanda Guglielmi, o cenário mostra que o problema deixou de ser pontual.
“O crescimento dos afastamentos por saúde mental reflete pressões mais intensas no ambiente de trabalho, como jornadas prolongadas, dificuldade de desconexão, insegurança em relação ao futuro profissional e desafios de adaptação no início e no meio da carreira. Esses fatores se acumulam ao longo do tempo e ajudam a explicar o aumento dos afastamentos observado nos últimos anos”, afirma.
O mal do século
O problema não se restringe ao Brasil. Não por acaso, as doenças mentais passaram a ser consideradas “o mal do século XXI”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos como ansiedade e depressão representam a principal causa de incapacidade no mundo, quadro agravado pelo estresse, pelo ritmo de vida acelerado e pelas crises globais.
A organização estima que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. Além disso, ela considera que o aumento da prevalência de transtornos mentais ocorre em todos os países e comunidades, afetando pessoas de todas as faixas etárias e rendimentos.
O problema também tem um alto custo para o mundo. Segundo a OMS, o custo indireto causado pela depressão e ansiedade à economia global é de cerca de US$ 1 trilhão por ano.
O que os profissionais brasileiros esperam das empresas
Além de investigar a recorrência de afastamentos por questões de saúde mental, a pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil também perguntou aos entrevistados quais ações podem melhorar o bem-estar no ambiente de trabalho.
Mais de 45% dos entrevistados apontaram que a adoção de práticas para inibir excessos e assédio pode ajudar a reduzir o problema. Outros 45% defenderam jornadas de trabalho flexíveis, enquanto 42,3% destacaram a necessidade de capacitar lideranças para conversas abertas sobre saúde mental.
As prioridades, no entanto, variam conforme a geração. Para a Geração Z, por exemplo, a flexibilidade da jornada de trabalho aparece como principal medida para melhorar o cenário, citada por 45,7% dos entrevistados. Já entre os Baby Boomers, 51,5% priorizam a criação de canais formais de ajuda, enquanto 50% defendem a capacitação das lideranças.
Sobre a pesquisa
O levantamento integra a série Panorama do Trabalho, que analisa diferentes aspectos da relação entre profissionais e empresas no país. A coleta de dados ocorreu entre novembro e dezembro de 2025 com 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego, de diferentes gerações e regiões do Brasil. A margem de erro do estudo é de 3%.
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