Palco de clássicos, decisões marcantes e grandes emoções do futebol, o Estádio Olímpico do Pará – Jornalista Edgar Proença (Mangueirão) completa 48 anos nesta quarta-feira (4). Maior estádio da Região Norte, o Mangueirão é símbolo do esporte paraense e referência nacional por sua estrutura multifuncional. Único da Região Norte a contar com pistas olímpicas, o complexo possui uma pista de atletismo moderna, de padrão internacional, integrada ao estádio principal, além de ser o único de grande porte da região amazônica com essa característica.
Para celebrar o aniversário, o estádio recebe uma programação especial voltada aos atletas dos programas da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), reforçando a ligação direta do Mangueirão com a formação esportiva e com o futuro de novas gerações de atletas.
Programação de aniversário
A comemoração inclui visitas guiadas em dois turnos, às 8h e às 14h. Jovens atletas terão a oportunidade de conhecer de perto as dependências do estádio, circular por áreas internas e vivenciar a atmosfera de um espaço que, ao longo de quase cinco décadas, se consolidou como o principal palco esportivo do Norte do país.
Às 18h, o Mangueirão será iluminado com as cores da bandeira do Pará, marcando simbolicamente mais um ano de história. A entrada ocorre pelo Portão B (lado Oeste), na Avenida Transmangueirão, com acesso exclusivo para atletas da Seel.
Da prancheta ao gramado: o nascimento do Mangueirão
O estádio nasceu do sonho do então governador Alacid Nunes, que desejava criar uma grande praça esportiva no Pará. O projeto foi assinado em 1969 pelo arquiteto paraense Alcyr Meira, com obras iniciadas em 1971. A proposta original previa capacidade para até 120 mil pessoas, algo ambicioso para a época.
A inauguração oficial, em 4 de março de 1978, entrou para a história: uma seleção formada por atletas de Remo, Paysandu e Tuna Luso venceu a Seleção Uruguaia por 4 a 0. O primeiro gol do estádio foi marcado por Raimundo Mesquita, então jogador do Remo. “Naquele momento, eu nem imaginava que isso ficaria marcado na memória das pessoas. É uma história boa”, recorda Mesquita, hoje responsável técnico pelo gramado. “O engraçado é que inaugurei o gol e hoje cuido do campo. Tudo mudou muito: hoje é tudo moderno”.
Nos primeiros anos, a arquibancada ainda incompleta rendeu ao estádio o apelido de “Bandolão”, lembrado por torcedores antigos. “Tinha jogo que me marcou muito”, relembra Ananias Costa, de 76 anos.
Já o nome “Mangueirão” surgiu como referência à mangueira, árvore símbolo do Pará, e ao porte imponente da arena. O apelido foi popularizado pelo cronista esportivo Moacir Calandrini e rapidamente adotado pela torcida, tornando-se sinônimo de identidade e orgulho regional.
Capacidade, reformas e grandes jogos
Ao longo da história, o estádio passou por importantes transformações. Após a mais recente modernização, a capacidade saltou de cerca de 40 mil para 51 mil espectadores, colocando o Mangueirão na 18ª posição entre os maiores estádios da América do Sul. Hoje, é o maior estádio do Norte e o único a incluir pistas olímpicas em sua estrutura.
O Mangueirão é palco dos clássicos Re-Pa, o confronto mais tradicional do futebol brasileiro, e já recebeu jogos internacionais marcantes, como Brasil x Argentina (2011) e o histórico Paysandu 2 x 4 Boca Juniors, pela Libertadores de 2003. Fora dos gramados, consolidou-se também como um grande palco cultural, com eventos que reuniram artistas como Anitta, Gilberto Gil, Charlie Puth e DJ Alok.
Vozes que ajudaram a contar essa história
As partidas disputadas no estádio também deixaram marcas em quem acompanhou sua evolução profissionalmente. Radialista e narrador esportivo da Rádio Clube, Cláudio Guimarães lembra de momentos desde a construção. “Em 1971, quando só tinha a geral, fizemos uma visita com toda a equipe esportiva. Foi uma foto histórica”, recorda.
O primeiro jogo narrado por Cláudio no estádio, ainda chamado Estádio Alacid Nunes, foi um Re-Pa pela Série A, em 26 de março de 1978. Ele também guarda lembranças como torcedor. “Assisti à vitória emocionante do Paysandu sobre o Flamengo, em 1995. Aquilo marcou muito”, relembra. “Até hoje levo amigos de fora para conhecer o que chamo de Estádio Olímpico Monumental Edgar Proença”.
A médica veterinária Aryane Silva, que se mudou de Santos para Belém em 2002, também construiu memórias no Mangueirão. “Quando entrei no estádio e vi aquela grandiosidade do campo e da torcida, foi incrível”, conta. Uma das lembranças mais fortes foi o acesso do Remo à elite nacional. “Foi tudo muito surreal. Começou perdendo, virou, ganhou e subiu. Foi lindo”.
Memórias que atravessam gerações
Mais do que um espaço esportivo, o Mangueirão é cenário de histórias pessoais. Para o desenvolvedor de software Yan Fernandes, de 38 anos, o estádio acompanha diferentes fases da vida. “Levar alguém ao Mangueirão é um gesto de confiança e amizade. São muitas histórias que fazem dele um lugar diferente”, relata.
Yan frequentava o estádio com o pai e, hoje, leva a própria filha. “Ela adorou e sempre pede para ir novamente. Isso é uma herança que passa de geração em geração. Ver ela vestindo a camisa do Remo é sensacional”, afirma. A primeira ida dele ao estádio foi em 1993, em um Remo x Palmeiras. “Foi a sensação de conhecer algo grandioso. Até hoje, entrar pelo túnel e ver o estádio cheio é algo fantástico”.
O servidor público federal Ênio dos Santos Silva também mantém uma relação familiar com o Mangueirão. “Ele representa confraternização e o amor pelo Clube do Remo, passado de geração em geração”, diz. Mesmo morando fora do Pará, Ênio retorna para jogos decisivos e guarda um momento inesquecível. “Durante um jogo, contei ao meu pai, dentro do Mangueirão, que seria pai. Foi um divisor de águas na minha vida”.
Presente e futuro
Aos 48 anos, o Mangueirão segue como um dos principais palcos esportivos do Brasil, reunindo futebol, atletismo e grandes eventos em um mesmo espaço. Mais do que concreto e arquibancadas, o estádio permanece como um ponto de encontro de gerações, emoções e histórias que continuam sendo escritas a cada jogo, a cada clássico e a cada nova lembrança criada nas arquibancadas.
As declarações foram feitas para a repórter Cintia Magno.
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