Expressões culturais religiosas populares ganharam destaque internacional com apresentações especiais em eventos de grande visibilidade mundial. Neste contexto, quem estava na Green Zone da COP30 neste sábado (15) viveu um momento inesquecível.
Dessa forma, a tradicional Marujada de São Benedito de Bragança foi apresentada no palco do Pavilhão Pará, levando a manifestação cultural e religiosa paraense de mais de dois séculos aos olhos do cenário internacional. Durante o evento, um cortejo percorreu os corredores do espaço, chamando a atenção dos visitantes.
Apresentação encanta público da COP 30
O espetáculo cultural seguiu após o cortejo, que atraiu olhares curiosos dos visitantes que desfrutavam do espaço público durante o fim de semana.
Em seguida, o grupo retornou ao palco principal onde as capitoas convocaram os capitães para iniciar as apresentações de dança. Como resultado, o momento emocionou e divertiu a plateia presente, que parou suas atividades para acompanhar a manifestação cultural.
Tradição secular une fé e cultura popular
As celebrações de São Benedito no Pará representam uma fusão única entre religiosidade, arte e organização comunitária. Tradicionalmente, estas festividades ocorrem anualmente em Bragança, no nordeste paraense, em uma combinação de folguedos populares e demonstrações de gratidão pelas bênçãos recebidas.
Nesse sentido, a organização das marujadas forma uma complexa rede social. Assim, os participantes, conhecidos como marujos e marujas, executam diversas modalidades de dança incluindo rodas, chorado, retumbão, valsa, arrasta-pé, mazurca, xote, bagre e contradança.
Além disso, cada festividade possui hierarquia específica com personagens definidos: capitão, capitoa, juiz, juíza e os demais participantes. Por sua vez, as mulheres assumem papel central tanto na organização quanto na execução das atividades, enquanto os homens se responsabilizam pela arrecadação de fundos, percussão musical e apoio logístico.
O aprendizado sobre a festividade ocorre naturalmente entre gerações, criando vínculos identitários expressos em frases como ‘dançar marujada’ ou ‘entrei para a marujada’.
Raízes históricas e reconhecimento oficial
A tradição oral dos praticantes indica que as marujadas paraenses surgiram entre os séculos XVIII e XIX, período marcado pela escravidão. Naquela época, populações negras desenvolveram estas homenagens a São Benedito combinando orações, folias, danças e cerimônias religiosas.
Ao longo do tempo, estas expressões evoluíram para um sistema próprio de rituais e práticas festivas, reconhecido hoje como elemento fundamental da cultura regional. Atualmente, Bragança abriga a celebração de maior participação popular, organizada pela Irmandade da Marujada de São Benedito em colaboração com a Igreja Católica.
Mais recentemente, em 2024, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu oficialmente as Marujadas de São Benedito no Pará como Patrimônio Cultural do Brasil, confirmando seu valor simbólico e social.
Convite para celebração tradicional
O secretário municipal de cultura de Bragança, Vinícius Oliveira, expressou orgulho em apresentar a manifestação tradicional no palco internacional da COP.
O gestor municipal também estendeu convite para que pessoas interessadas conheçam a festividade original, que ocorrerá de 18 a 26 de dezembro em Bragança. O auge da celebração está programado para o dia 26 de dezembro, data que marca o clímax das atividades tradicionais.
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