Tarik Duarte – DOL O calor intenso da região amazônica, tema amplamente discutido na COP30, transformou as sorveterias de Belém em pontos estratégicos para os participantes do evento internacional que vieram de outras cidades e países.
Dessa forma, entre reuniões e debates sobre o clima global, delegados, ambientalistas e visitantes encontram nos sorvetes, principalmente de frutas regionais, uma forma eficaz de combater as altas temperaturas – e de quebra, mergulham na rica cultura gastronômica amazônica.
Sabores da Amazônia conquistam paladares de todo o mundo
Nesse contexto, Rafaela Batah, professora de educação ambiental de Embu das Artes (SP), vive sua primeira experiência em Belém. Inicialmente, o primeiro contato com o bacuri, fruta típica da região, aconteceu em forma de suco.
“Me surpreendi com o sabor forte, mas tudo mudou quando experimentei o sorvete de bacuri, que agora é o meu favorito”, conta a educadora, que também já provou a soobremesa de cupuaçu e taperebá, ampliando seu repertório amazônico.
Acostumada ao açaí comercializado no Sudeste, Rafaela se encantou também com a versão original servida em Belém. Ainda assim, ela prefere consumi-lo como sobremesa, com açúcar, e aguarda ansiosamente para experimentar também o sorvete do fruto.
Enquanto isso, vinda do outro lado do Atlântico, a norueguesa Inga Fritzen chegou a Belém com grande curiosidade para descobrir novos sabores. Felizmente, a busca foi recompensada: o sorvete de bacuri também conquistou seu paladar.
Junto com a amiga alemã Fentje Jacobsen – que se rendeu ao tradicional sorvete de coco brasileiro –, Inga pretende permanecer até o último dia do evento e explorar ainda mais a culinária amazônica.
Açaí e cupuaçu lideram preferências
Consequentemente, entre os sabores mais solicitados nas sorveterias da cidade, açaí e cupuaçu aparecem invariavelmente no topo da lista. Ademais, os estabelecimentos oferecem também variações desses favoritos, com misturas que incluem castanha-do-pará, farinha de tapioca e até sorvete exclusivamente de tapioca – uma surpresa para quem vem de fora.
Notavelmente, o campeão absoluto de vendas, que exige reposição constante nos freezers, é a combinação do sorvete de castanha com doce de cupuaçu, o famoso sorvete “Carimbó”, da premiada sorveteria Cairu.
Segundo visitantes, de fato, a mistura equilibra a textura crocante da castanha amazônica com a cremosidade da fruta regional, criando uma experiência sensorial que agrada tanto moradores quanto visitantes.
COP30 aquece economia local e promove cultura amazônica
Nesse sentido, a procura intensificada por sorvetes durante a conferência climática revela um efeito colateral positivo: a valorização econômica e cultural dos produtos regionais.
Portanto, sorveteirias locais relatam aumento significativo nas vendas, especialmente nos horários de maior calor, entre o fim da manhã e o meio da tarde.
Paralelamente, para muitos participantes internacionais, a experiência gastronômica representa um primeiro contato direto com a biodiversidade amazônica – tema central das discussões da COP30.
Consequentemente, frutas antes desconhecidas ganham rostos, histórias e sabores concretos, transformando conceitos abstratos de preservação em experiências sensoriais memoráveis.
Por fim, a estratégia de combate ao calor pelos sorvetes regionais demonstra como a conferência climática transcende as salas de negociação. Estes debates já se integram comumente ao cotidiano da cidade, promovendo intercâmbios culturais espontâneos e fortalecendo a economia criativa local baseada na sociobiodiversidade amazônica.
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