Júlia Marques/DOL – Um protesto por justiça climática e demarcação de terras indígenas marcou a manhã desta sexta-feira (14) na Blue Zone da COP30, em Belém. Reunindo representantes de movimentos populares, organizações feministas e coletivos indígenas. o ato denunciava a presença de empresas de combustíveis fósseis e os impactos dela sobre comunidades tradicionais e territórios vulneráveis.
Faixas e cantos feitos pelo grupo chamavam atenção para o que consideram contradições centrais da conferência: corporações responsáveis por emissões e violações ambientais participando das discussões sobre o futuro climático global. Para os manifestantes, enfrentar a crise exige romper com modelos econômicos que aprofundam desigualdades e ameaçam comunidades inteiras.

Vinda da Indonésia, Patricia Watimena, da Rede Internacional para Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, disse que a presença dessas empresas e do complexo industrial militar agrava conflitos e destruições territoriais. “Estamos aqui para denunciar o complexo industrial militar e os gigantes dos combustíveis fósseis. Eles alimentam ocupações, genocídios e extraem nossas terras, nossos recursos e nossa energia para matar nosso próprio povo e nossas comunidades. Dizemos não a isso”, afirmou.

Entre as principais reivindicações do ato estavam a transição energética justa, o fim dos combustíveis fósseis, o financiamento climático e a garantia da demarcação de terras indígenas, considerada pelos movimentos como medida fundamental para preservar florestas e proteger modos de vida tradicionais.
Do Brasil, Robson Purinã Koemã Puri, de uma comunidade indígena de Minas Gerais, reforçou que os povos originários têm papel central na defesa ambiental. “A pauta da proteção da natureza é totalmente a nossa área. Somos os protetores da natureza, a alma da natureza. Conhecemos fauna, flora e medicina, temos propriedade para falar e proteger”, afirmou.

Ele destacou ainda que a participação indígena fortalece as discussões feitas dentro da conferência. “Quanto mais nos aprofundamos em uma pauta, mais forte é a luta. Os impactos climáticos atingem todo o mundo e as futuras gerações. Mostrar nossa visão é uma obrigação como indígena, comunidade e ser humano”, concluiu.
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