Condenada por matar e esquartejar o empresário Marcos Matsunaga, herdeiro da Yoki, Elize Matsunaga escreveu, enquanto cumpria pena, o manuscrito intitulado “Piquenique no Inferno”. Na obra, ela afirma que decidiu registrar sua versão dos fatos para que a filha do casal conheça sua história e, um dia, possa entender o que aconteceu.
Ao longo das 178 páginas, Elize relata os momentos que antecederam o disparo que matou o marido, em 19 de maio de 2012, no apartamento da família, na Zona Oeste de São Paulo. Segundo ela, a discussão terminou após uma sequência de insultos e ameaças atribuídas a Marcos Matsunaga.
A versão de Elize sobre o crime
No manuscrito, Elize afirma que agiu para se defender. Ela descreve que ouviu ofensas e ameaças envolvendo sua família e a guarda da filha antes de apertar o gatilho. Em seguida, escreve que sua mente estava tomada pelo medo, pelo caos e pela confusão, até que efetuou o disparo.
Relatos de violência e o passado
Além do relato sobre o crime, o livro também aborda episódios que, segundo Elize, marcaram sua trajetória muito antes do casamento. Ela afirma que sofreu violência sexual aos 15 anos, quando teria sido estuprada pelo padrasto, identificado na obra por um nome fictício. A autora descreve o episódio como um dos acontecimentos mais traumáticos de sua vida.
Elize também afirma que enfrentou violência doméstica durante o casamento com Marcos Matsunaga. Segundo ela, essas experiências ajudam a explicar seu estado emocional na noite do crime, embora reconheça que nada justifica o desfecho da história.
A relação com a filha
Outro dos principais trechos do manuscrito é dedicado à filha do casal. Desde o assassinato, por decisão da Justiça, a menina permaneceu sob a guarda dos avós paternos, e Elize ficou impedida de manter contato com ela.
Na carta escrita à filha, Elize pede perdão e afirma que jamais deixará de lutar para reencontrá-la. Ela reconhece que o crime foi injustificável, mas diz esperar que, no futuro, a filha possa compreender sua versão dos acontecimentos.
Repercussão e condenação
O caso Marcos Matsunaga ganhou repercussão nacional em 2012. Elize Matsunaga foi condenada a 19 anos e 11 meses de prisão pelo assassinato e pela ocultação do cadáver. Anos depois, o manuscrito revelou detalhes inéditos da narrativa construída por ela durante o período em que esteve presa, incluindo relatos pessoais, memórias de infância e sua interpretação sobre a noite do crime.
O post Por que Elize Matsunaga matou o marido? Livro não lançado revela nova versão apareceu primeiro em Diário do Pará.




