A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e tornou réus quatro acusados pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida em um salto de rope jump no dia 13 de junho de 2026. A decisão, tomada na segunda-feira (13) , acusa formalmente a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, e os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos.
A tragédia aconteceu na Ponte do Esqueleto, um ponto conhecido para a prática de esportes radicais localizado sobre o Rio Piracicaba, no limite entre Limeira e Cordeirópolis, no interior paulista. Maria Eduarda foi lançada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar devidamente conectada à corda de segurança que deveria sustentar o seu salto.
Acusações e prisões preventivas
Segundo o MPSP, os três instrutores responderão por homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Já Evelyne dos Santos Gonçalves foi denunciada pelo mesmo crime de homicídio sob dolo eventual, mas qualificado por omissão imprópria — devido à sua posição de garantidora da segurança — e também por fraude processual. Na mesma decisão, a Justiça de São Paulo converteu a prisão temporária de Evelyne em prisão preventiva e determinou a manutenção da custódia preventiva dos três instrutores.
Falhas de segurança e fraude processual
O inquérito da Polícia Civil, liderado pela delegada Andréa Levy, apontou que o evento operava em condições precárias de segurança, sem registro no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo e sem qualquer apólice de seguro de responsabilidade civil. De acordo com a investigação, a prática ocorreu com “relevantes falhas organizacionais”. O Ministério Público sustentou que Luis Felipe, Maicon e Vitor agiram com dolo eventual ao assumirem o risco do resultado morte, deixando de conferir o engate dos cabos e de efetuar a dupla checagem dos equipamentos de segurança essenciais.
Em depoimento oficial prestado após o ocorrido, a empresária Evelyne afirmou que sua atuação se limitava às redes sociais e à recepção, sem conhecimento operacional. “Eu não faço parte de nada do operacional, eu sempre falo, inclusive nas minhas redes sociais, que eu tenho muito medo. Eu não tenho nenhuma qualificação para te dar respostas técnicas”, alegou a empresária.
A acusação de fraude processual contra Evelyne decorre do sumiço da câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda no instante do salto, equipamento que poderia registrar o momento exato do erro na fixação dos cabos. Testemunhas indicaram que um homem usando o uniforme da organização retirou a câmera logo após o acidente, o que ainda é alvo de investigações complementares pela Polícia Civil paulista.
Indenização e julgamento popular
A defesa de dois dos instrutores manifestou-se no processo alegando que o ocorrido foi “uma fatalidade inexplicável”. Em contraponto, o Ministério Público solicitou que os réus, além de passarem por julgamento popular, sejam condenados a pagar uma indenização mínima de R$ 200 mil à família da vítima pelos severos danos morais gerados pela perda precoce da jovem.
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