Ao ser apresentado oficialmente, ontem à tarde, o volante Edson Fernando comentou sobre o que o levou a aceitar o convite do Clube do Remo, da possibilidade de jogar uma primeira divisão e por um time com uma torcida imensa. Mas, além desses atrativos, ele lembrou dos quatro anos que passou no futebol da Ucrânia, defendendo Rukh Vynnyk e Karpaty, com uma breve passagem pelo mexicano Juarez. Ele chegou ao país europeu e logo em seguida começou a guerra com a Rússia, o que o fez viver momentos dramáticos e que espera ter deixado no passado.
“Essa situação do Remo, nem tem tanto tempo assim. O meu empresário acabou comentando sobre a possibilidade de poder vir para cá, de poder ajudar, e eu não pensei duas vezes assim quando ele falou, falei que podia iniciar conversas e que se fosse da vontade de Deus, se as coisas fossem boas para mim, para o clube, para ele também, eu iria aceitar, porque era um lugar que eu queria vir. Eu queria muito sair da Ucrânia, pelo momento, também do país, pela guerra que estava lá, a preocupação pessoal da minha família também, porque eu já estava lá há bastante tempo”, contou Edson.
Com o tempo, contou o jogador azulino, esse dia a dia tenso passou a fazer parte do cotidiano, chegando ao ponto de ele naturalizar a situação. Como estava em uma cidade longe do epicentro do conflito, ele e a família conseguiram ter uma vida relativamente normal no último ano.
“Com o tempo vai virando costume, com a situação que a gente vive ali. Mas a princípio foi bem difícil, foi uma situação bem difícil para se acostumar, aquela tensão, todo momento. Acontecia várias vezes, em 2023, quando eu voltei para lá, de noite ia passar a noite lá no bunker e às sete horas da manhã ter que treinar, ou seja, sem dormir”, disse.
“E, os ucranianos não estavam nem aí porque agora para eles já é normal, é uma coisa que eles já acostumaram. Para a gente estrangeiro, que é de fora, para a nossa família, não é uma coisa normal estar vivendo aquilo ali. Mas se você for caminhar lá na cidade, em Kiev, você vê as pessoas já acostumadas com isso, não tem muita escolha, não tem muito o que fazer”.
Edson Fernando lembrou também de uma triste realidade, a das vítimas de guerra, abundantes entre o povo ucraniano. “Os homens, por exemplo, não podem sair do país, a não ser que tenham mais de 50 anos ou que tenham três filhos. Mas fora isso, se tu tens 23 anos, a qualquer momento, quando tocar na sua porta lá, você vai ter que sair do país. É uma situação que eu via bastante lá, havia muitos militares nas ruas também, muitos sem braços, sem perna. Isso era como ver moto aqui no Brasil. Isso era uma coisa que marcava bastante. Você acaba se acostumando, mas não estamos acostumados a isso aqui no Brasil”.
O post ‘Passei noites em bunkers’: reforço do Remo relembra terror da guerra na Ucrânia apareceu primeiro em Diário do Pará.






