A execução da influenciadora Evellyn Lima Dantas, em Mãe do Rio, no nordeste do Pará, trouxe novamente à lembrança outros crimes de grande repercussão no estado. Entre eles está a morte do vereador Deivite Wener Araújo Galvão, conhecido como Gordo do Aurá, assassinado a tiros em Belém em 2019.
Os dois casos não têm, até o momento, relação comprovada. A lembrança ocorre pelo contexto de violência e pelas investigações que cercaram as duas histórias.
Gordo do Aurá morreu em 21 de fevereiro de 2019, aos 37 anos, após ser atacado a tiros no bairro da Pedreira, em Belém. Naquele dia, o vereador seguia em um carro acompanhado da esposa quando criminosos se aproximaram e abriram fogo.
Segundo a investigação divulgada à época, os disparos atingiram a parte dianteira do veículo e a região da janela do passageiro. O motorista não ficou ferido.
Deivite e a esposa receberam atendimento médico no Hospital Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti. O vereador chegou a receber os primeiros cuidados, mas não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Civil iniciou a investigação ainda naquele dia. A Divisão de Homicídios e o Grupo de Pronto-Emprego participaram das primeiras diligências para tentar identificar os responsáveis pelo ataque.
Quem era Gordo do Aurá
Deivite Galvão foi eleito vereador de Ananindeua em 2012 pelo então DEM e conquistou a reeleição em 2016. O político era conhecido principalmente pela atuação junto aos moradores do Aurá.
A trajetória do vereador, porém, também era marcada por investigações policiais.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil na época, Deivite havia sido apontado como suspeito de homicídio em 2006. Em 2011, ele foi preso por tráfico de drogas e associação ao tráfico, em Mosqueiro.
Em setembro de 2018, meses antes de sua morte, o vereador voltou a ser preso durante uma operação policial contra o tráfico de drogas. As investigações apontavam uma possível ligação dele com uma organização criminosa.
Apesar das acusações e investigações, Deivite continuava exercendo o mandato de vereador de Ananindeua quando foi assassinado.
Atentado aconteceu anos antes
A morte de 2019 não foi o primeiro ataque sofrido pelo vereador.
Em 18 de junho de 2013, Deivite foi alvo de uma tentativa de homicídio quando chegava ao prédio da Câmara Municipal de Ananindeua.
Na ocasião, segundo a Polícia Civil, um homem em uma motocicleta se aproximou e efetuou vários disparos. O vereador foi atingido por seis tiros e levado para o Hospital Metropolitano, onde passou por cirurgia.
Um taxista que estava próximo ao prédio ajudou no socorro.
A polícia realizou buscas para tentar localizar o autor do atentado. O caso foi registrado na 14ª Seccional Urbana de Ananindeua.
Mesmo depois daquele episódio, Deivite permaneceu na política e voltou a ser eleito vereador em 2016.
Investigação ganhou novo capítulo
Quatro anos depois da morte, a Polícia Civil realizou a Operação Aurá, em setembro de 2023, para avançar na investigação do assassinato.
A ação cumpriu sete mandados de busca e apreensão contra agentes de segurança pública suspeitos de participação no crime. A operação contou com equipes da Divisão de Homicídios, do Núcleo de Inteligência Policial, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, o Gaeco, e da Corregedoria da Polícia Militar.
Durante as buscas, os policiais apreenderam armas, munições de diferentes calibres, celulares, pendrives, um tablet e HDs externos. Duas pessoas foram levadas para prestar esclarecimentos. Uma delas acabou autuada em flagrante por posse ilegal de munição.
Naquele momento, a investigação ainda buscava esclarecer quem executou o vereador, qual foi a motivação do crime e quem teria ordenado a morte. A perícia das armas e munições apreendidas também fazia parte da tentativa de identificar os responsáveis.
Caso Evellyn
A lembrança do caso Gordo do Aurá ganha espaço agora após a morte de Evellyn Lima Dantas, executada a tiros na madrugada de 16 de setembro de 2026, em Mãe do Rio.
A influenciadora estava em liberdade provisória e era investigada por suspeita de participação na morte do sargento da reserva da Polícia Militar Antônio Anildo Alves, assassinado em julho no município.
Após a morte de Evellyn, a Polícia Civil passou a investigar a autoria e a motivação do novo homicídio. Uma pichação com a sigla TCP apareceu na fachada da residência e também passou a ser analisada pelas autoridades.
A polícia ainda precisa esclarecer se essa inscrição tem alguma relação com a execução.
Assim como no caso Gordo do Aurá, portanto, a investigação sobre a morte de Evellyn envolve perguntas que ainda precisam de respostas. Quem matou? Qual foi a motivação? E existe alguma ligação entre os envolvidos?
Até o momento, porém, não há informação que comprove qualquer conexão entre a execução de Evellyn e o assassinato de Gordo do Aurá.
O caso do vereador continua marcado pela violência do ataque ocorrido em plena área urbana de Belém e pelo fato de a investigação ter avançado novamente anos depois, com a Operação Aurá.
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