Uma mulher de 53 anos, com deficiência visual, conseguiu escapar de uma situação de cárcere privado ao aproveitar uma ida à farmácia para pedir socorro à Polícia Militar, em Herval d’Oeste, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A vítima denunciou que era impedida de sair de casa pelo companheiro, de 55 anos, e sofria ameaças de morte, inclusive com um martelo. O suspeito foi preso na noite de domingo (11), após a mulher conseguir se afastar dele dentro do estabelecimento comercial.
A ocorrência foi registrada por volta das 20h30, na região central do município. Segundo a Polícia Militar, a vítima relatou que vivia sob constantes ameaças e restrições à liberdade dentro do apartamento onde morava com o companheiro.
O caso ganhou contornos ainda mais graves porque a mulher afirmou ter sido impedida de votar no primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro. Conforme seu depoimento, o homem não permitiu que ela deixasse a residência naquele dia.
Como a vítima conseguiu pedir socorro
A oportunidade de escapar surgiu quando a mulher informou ao companheiro que precisava comprar um colírio. O homem concordou em acompanhá-la até uma farmácia, sem permitir que ela saísse sozinha.
Já dentro do estabelecimento, segundo a denúncia, o suspeito voltou a ameaçá-la. A vítima conseguiu se desvencilhar dele e pedir ajuda, levando ao acionamento da Polícia Militar.
Os policiais foram até o local e ouviram o relato da mulher, que descreveu episódios frequentes de intimidação e privação de liberdade.
A ação permitiu que ela deixasse a situação denunciada e recebesse atendimento das autoridades.
Ameaças e agressões sofridas pela vítima
Durante o atendimento policial, a vítima contou que havia sido ameaçada de morte com um martelo enquanto permanecia contra a própria vontade no apartamento.
Ela também relatou um episódio de agressão durante uma discussão. Segundo seu depoimento, o companheiro a empurrou contra o parapeito da sacada do imóvel, colocando-a em risco de queda.
Ao tentar se proteger e evitar que caísse, a mulher sofreu ferimentos nos dedos da mão direita.
De acordo com a Polícia Militar, as ameaças e as restrições à liberdade não seriam acontecimentos isolados. A vítima afirmou que esse comportamento se repetia ao longo do relacionamento.
Prisão do suspeito e investigação
Quando os policiais atenderam à ocorrência, observaram que o homem apresentava forte odor de álcool e fala arrastada, características compatíveis com sinais de embriaguez.
Diante das denúncias e dos elementos identificados durante o atendimento, o suspeito recebeu voz de prisão.
O homem e a vítima foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Joaçaba, município vizinho, para os procedimentos legais.
A ocorrência envolve suspeitas de violência doméstica, ameaça e cárcere privado. As circunstâncias serão apuradas pela Polícia Civil, responsável pela investigação.
Até a divulgação das informações iniciais, não havia detalhes sobre eventual decisão judicial posterior à prisão.
Violência doméstica e canais de denúncia
O episódio chama a atenção para as dificuldades enfrentadas por mulheres com deficiência em situações de violência doméstica, especialmente quando dependem de terceiros para determinadas atividades cotidianas.
A restrição de liberdade, as ameaças e o impedimento de manter contato com outras pessoas são formas de violência que podem ocorrer mesmo sem agressões físicas constantes.
No Brasil, a Lei Maria da Penha prevê mecanismos de proteção para mulheres submetidas à violência doméstica e familiar, incluindo medidas protetivas de urgência.
Vítimas ou pessoas que tenham conhecimento de situações semelhantes podem procurar a Polícia Militar pelo telefone 190, em casos de emergência, ou a Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, que oferece orientações e recebe denúncias.
No caso de Herval d’Oeste, o pedido de ajuda feito durante uma atividade cotidiana foi decisivo para interromper a situação relatada pela vítima e permitir a intervenção policial.
Informações apuradas a partir da reportagem do ND Mais, publicada em 12 de outubro de 2026, e do relato da Polícia Militar divulgado pela imprensa regional.
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