Um homem apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do Comando Vermelho em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, morreu durante uma operação policial realizada na manhã de quinta-feira (8), no município de Guabiruba, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Identificado como Kleber Deyvison da Silva Leal, de 38 anos, ele estava foragido da Justiça do Pará havia mais de quatro anos e era investigado por homicídio, porte ilegal de arma de fogo e participação em organização criminosa.
A operação foi conduzida por agentes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), unidade especializada da Polícia Civil catarinense, que cumpriam um mandado de prisão expedido pela Justiça paraense. Segundo a corporação, Kleber teria reagido à abordagem e entrado em confronto armado com os policiais. Ele foi atingido por disparos e morreu no local. Nenhum agente ficou ferido.
Foragido continuava atuando na facção
Mesmo distante do Pará, Kleber continuaria exercendo influência sobre integrantes do Comando Vermelho que atuam em Ananindeua, conforme as investigações policiais.
De acordo com o delegado responsável pela operação, o investigado possuía diversas passagens pela polícia e utilizava aplicativos de mensagens para manter contato com integrantes de células criminosas.
A suspeita é de que ele permanecia vinculado às atividades da organização mesmo após deixar o estado onde era procurado pela Justiça.
As autoridades não divulgaram há quanto tempo Kleber estava escondido em Santa Catarina nem detalhes sobre os endereços utilizados durante o período em que permaneceu foragido.
A localização do investigado permitiu o planejamento da operação destinada ao cumprimento da ordem judicial.
Confronto terminou com apreensão de arma
Segundo a versão apresentada pela Polícia Civil, os agentes chegaram ao endereço onde Kleber estava localizado para executar o mandado de prisão.
Durante a intervenção, houve troca de tiros. O investigado foi baleado e morreu antes de ser encaminhado a uma unidade hospitalar.
Após o confronto, os policiais isolaram a área para preservar o local e permitir a realização dos procedimentos periciais.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Polícia Científica foram acionadas. Uma arma de fogo que, segundo a corporação, estava em poder de Kleber foi apreendida.
As circunstâncias da morte deverão ser analisadas pelos órgãos competentes, incluindo a dinâmica dos disparos e os elementos reunidos durante a perícia.
Santa Catarina virou destino de investigados
A morte de Kleber ocorre em meio a outras operações realizadas em Santa Catarina contra investigados apontados como integrantes ou lideranças de organizações criminosas com atuação no Pará.
Em 28 de maio de 2026, Eric Felipe Souza Monteiro, conhecido como “Boca Torta”, morreu durante uma intervenção policial no bairro Monte Cristo, em Florianópolis.
Ele era apontado como liderança do Comando Vermelho no Pará e investigado por supostamente participar do planejamento de ataques contra agentes de segurança pública. Segundo a Polícia Civil, Eric teria reagido à tentativa de prisão.
Outro caso ocorreu em 15 de maio, quando José Maurício Viana Sousa, de 34 anos, natural de Ananindeua e apontado como orientador-geral da facção no Pará, morreu durante uma operação da CORE no bairro Progresso, em Blumenau.
Conforme a polícia, os agentes foram recebidos a tiros quando tentavam cumprir o mandado de prisão.
Os episódios revelam a presença, em municípios catarinenses, de investigados por participação em organizações criminosas que mantêm vínculos com atividades ilícitas no território paraense.
Outras prisões reforçam investigações
Além dos confrontos, operações policiais realizadas em Santa Catarina resultaram na prisão de outros suspeitos ligados ao crime organizado no Pará.
Em 25 de agosto, Carlos Renato Silva Potiguar, conhecido como “Zeca Urubu”, natural de Belém e foragido do sistema penal paraense, foi preso em Palhoça com aproximadamente 200 quilos de maconha.
Segundo a investigação, ele integraria o chamado “Conselho das Trancas”, estrutura associada ao Comando Vermelho.
No mês seguinte, a Polícia Civil catarinense realizou a Operação Ampulheta, que resultou na prisão de investigados por integrar uma organização envolvida em roubos, sequestros e extorsões contra motoristas de aplicativo na Região Metropolitana de Belém.
As investigações apontaram que suspeitos instalados em Santa Catarina participariam da coordenação de atividades criminosas praticadas em Belém, Ananindeua e Marituba.
O post Líder do Comando Vermelho em Ananindeua morre em confronto com a polícia em Santa Catarina apareceu primeiro em Diário do Pará.






