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‘Homem-Peixe’ nega abuso de menina de 13 anos e diz que prisão não derrubou sua inocência

Nadador colombiano que ganhou projeção no Pará foi preso preventivamente em 2024 por acusações de crimes sexuais contra uma adolescente; libertado por vencimento de prazo processual, ele contesta as imputações e sustenta que não houve manobras de sua defesa.

O Homem-Peixe, que ganhou projeção no Pará depois de percorrer milhares de quilômetros a nado pela Amazônia, carrega uma grave disputa judicial em seu país. Wilber Honorio Muñoz Burbano, conhecido na Colômbia como “Súper H”, foi preso preventivamente em 2024 após ser acusado de crimes sexuais contra uma menina de 13 anos, que integrava sua escola esportiva em Neiva, no departamento de Huila. Desde o início do processo, entretanto, o nadador sustenta ser inocente. Após deixar a prisão em abril de 2025 por vencimento dos prazos processuais, afirmou que a liberdade representava mais uma etapa da tentativa de provar sua versão perante a Justiça.

O caso voltou ao centro das atenções após a passagem do colombiano pelo Pará e a conclusão de sua expedição ambiental em Belém. A repercussão brasileira trouxe novamente à tona o processo que tramita na Colômbia, mas exige uma distinção fundamental: Muñoz foi acusado e submetido a prisão preventiva, porém as fontes consultadas não apontam condenação definitiva pelos fatos narrados.

Defesa de inocência e liberdade provisória

A principal linha pública adotada por Wilber Muñoz é a negação das acusações. Quando os crimes foram imputados em 2024, ele não aceitou os cargos apresentados pela Fiscalía colombiana. Depois de recuperar a liberdade, em 7 de abril de 2025, voltou às redes sociais para defender sua inocência.

“Nossas orações fizeram eco e hoje recuperei minha liberdade, mas o mais importante é que conseguimos dar um passo importante para seguir demonstrando minha inocência”, declarou Muñoz, em manifestação reproduzida pela imprensa colombiana.

A afirmação é um dos pontos centrais de sua defesa pública. O colombiano não apresentou, nas reportagens consultadas, uma versão detalhada capaz de rebater individualmente cada episódio narrado pela acusação. Sua posição conhecida concentra-se em negar responsabilidade criminal, defender o devido processo e afirmar que pretende demonstrar judicialmente que é inocente.

Ele nega ter provocado atrasos no processo

Outro argumento apresentado por Muñoz diz respeito ao andamento da ação penal. Ao ser libertado, ele contestou alegações de que sua defesa teria utilizado manobras para retardar o julgamento.

Esse aspecto é relevante porque sua saída da prisão não ocorreu por absolvição nem pelo arquivamento das acusações. A Justiça colombiana determinou sua liberdade após reconhecer o vencimento do prazo legal para manutenção da prisão preventiva sem o início do julgamento.

Reportagem colombiana publicada posteriormente informa que haviam transcorrido 242 dias desde a apresentação da acusação sem o início do julgamento oral. Segundo essa apuração, a Fiscalía não se opôs ao pedido de liberdade e teria reconhecido que não havia atraso atribuível às partes.

Portanto, a libertação não significa que a Justiça tenha declarado Muñoz inocente. Significa que ele passou a responder ao processo em liberdade.

Acusação envolve aluna de 13 anos

A investigação que levou o Homem-Peixe à prisão ganhou repercussão na Colômbia em maio de 2024. Na época, Muñoz era conhecido não apenas pelas travessias aquáticas e pelo ativismo ambiental, mas também como professor de educação física, treinador e responsável por uma escola esportiva em Neiva.

Segundo a Fiscalía, os episódios investigados teriam ocorrido entre novembro de 2022 e julho de 2023. A adolescente tinha 13 anos e era aluna de Muñoz.

A acusação sustenta que o treinador teria praticado assédio e aproximações físicas e verbais de natureza sexual. Investigadores também apontaram supostos toques íntimos durante aulas de natação e durante uma viagem de ônibus para Bogotá, em maio de 2023, quando a adolescente participaria de uma competição de triatlo dos jogos escolares.

Essas são alegações da acusação, contestadas por Muñoz, e não devem ser apresentadas como fatos definitivamente comprovados enquanto o processo não tiver decisão final.

Mãe encontrou conversas

O caso começou a avançar depois que familiares da adolescente tomaram conhecimento de mensagens atribuídas ao treinador.

Em relato reproduzido pela imprensa colombiana, a mãe afirmou que passou a desconfiar do comportamento de Muñoz e decidiu verificar o computador utilizado pela filha. No WhatsApp Web, teria encontrado conversas nas quais o treinador demonstraria interesse pela adolescente e comportamento possessivo.

Segundo a versão da mãe divulgada na Colômbia, algumas mensagens diziam que ele amava a menina e não queria que ela estivesse com outras pessoas. A denúncia familiar abriu caminho para a investigação que posteriormente resultou na prisão do treinador.

Cinco acusações foram apresentadas

Após a investigação, agentes do Cuerpo Técnico de Investigación (CTI), com apoio da Polícia Nacional colombiana, prenderam Muñoz na zona industrial de Neiva.

Um promotor ligado ao Centro de Atendimento Integral às Vítimas de Abuso Sexual (CAIVAS) apresentou diferentes acusações de natureza sexual. As fontes colombianas registram imputações equivalentes a ato sexual violento agravado, acesso carnal violento agravado, ato sexual abusivo contra pessoa incapaz de resistir em forma agravada, assédio sexual e demanda de exploração sexual comercial de menor de 18 anos.

Muñoz não aceitou as acusaçõesdurante a audiência. Posteriormente, uma juíza de controle de garantias determinou que ele permanecesse preso preventivamente enquanto o processo avançava.

Prisão durou cerca de 8 meses

A prisão também aparece na argumentação pública do colombiano. Depois de aproximadamente oito meses privado da liberdade, Muñoz descreveu dificuldades enfrentadas durante o período de reclusão.

Segundo ele, a ausência de luz solar, as condições de alimentação e o confinamento provocaram perda de peso e problemas físicos. Muñoz relatou fraqueza física e mental, além de tonturas e vertigens após deixar a prisão.

O relato, porém, não constitui elemento de contestação das provas do processo. É a descrição feita por ele sobre as condições vividas durante a prisão preventiva.

A Justiça concedeu liberdade a Wilber Muñoz em 7 de abril de 2025 por vencimento dos prazos processuais. Reportagens da época registram que ele permaneceu aproximadamente 242 dias preso antes da decisão. O processo, entretanto, continuou.

A trajetória do Homem-Peixe

Muito antes da repercussão do processo, Muñoz já havia construído uma imagem pública ligada à natação e à defesa ambiental. Em 2010, percorreu cerca de 1.500 quilômetros do rio Magdalena em 34 dias, passando por aproximadamente 50 municípios. A façanha ajudou a consolidar os apelidos de “Súper H” e “Guardião do Rio Magdalena”.

Anos depois, lançou a expedição “Amazonas a Pulmão”, percorrendo milhares de quilômetros e usando a travessia para chamar atenção para a poluição por plástico nos rios. Em maio deste ano, quando havia ultrapassado 5 mil quilômetros, a agência AFP registrou que o colombiano passava por centenas de comunidades levando mensagens de educação ambiental.

A jornada terminou no Pará depois de um episódio de tensão na Baía do Marajó. Em 28 de agosto, durante uma travessia entre Ponta de Pedras e Barcarena, a equipe perdeu contato visual com o nadador devido às condições adversas. Ele foi localizado vivo e continuou o percurso.

Muñoz chegou posteriormente a Belém, encerrando uma expedição que, segundo o Diário do Pará, acumulou aproximadamente 6,6 mil quilômetros e 360 dias. A notoriedade alcançada no Estado acabou trazendo novamente à tona o processo criminal que enfrenta na Colômbia.

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