O homem suspeito de agredir um macaco-prego com um tapa dentro do Parque Ecológico Municipal de Maracajá, no Sul de Santa Catarina, prestou depoimento à Polícia Civil e permaneceu em silêncio. Uma mulher de 19 anos, apontada como responsável por gravar a cena, também foi ouvida e afirmou que não sabia que a situação registrada poderia configurar crime. Os depoimentos ocorreram na quinta-feira (13).
Segundo o delegado Adriel Alves, responsável pela investigação, o homem tem 22 anos e optou por não responder às perguntas durante o interrogatório. A jovem confirmou que fez a gravação, mas negou ser a pessoa que aparece rindo no vídeo. Ela disse ainda que havia outras pessoas atrás do grupo no momento do episódio, mas declarou não conhecê-las.
Repercussão da agressão ao macaco-prego
A agressão aconteceu no dia 19 de julho, durante uma visita ao Parque Ecológico de Maracajá. Nas imagens, o homem aparece atraindo o macaco-prego para perto dele. Quando o animal se aproxima, recebe um tapa. O vídeo ganhou repercussão depois de ser publicado nas redes sociais pelo biólogo Victor Michels, fundador do Instituto Marakinho.
A divulgação provocou indignação e uma série de denúncias às autoridades. A Polícia Civil identificou os dois envolvidos na terça-feira (11), após receber informações da população. Os nomes não foram divulgados.
Investigação por maus-tratos e desdobramentos
O homem e a mulher são investigados por maus-tratos contra animal silvestre, conduta enquadrada pela Polícia Civil no artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Após a conclusão das diligências e dos depoimentos, o procedimento deverá ser encaminhado ao Poder Judiciário.
Victor Michels criticou a atitude registrada no parque e alertou que animais silvestres que vivem livres no espaço não podem ser tratados como forma de entretenimento pelos visitantes. Para o biólogo, frequentar ambientes naturais exige respeito aos animais e às regras de convivência com a fauna.
Prefeitura repudia agressão
A Prefeitura de Maracajá confirmou anteriormente que o episódio ocorreu nas dependências do parque e informou que disponibilizou imagens das câmeras de segurança para auxiliar a investigação. A administração municipal também repudiou a agressão, classificando o episódio como maus-tratos, e afirmou ter reforçado a fiscalização preventiva e as orientações aos visitantes.
A investigação agora busca concluir a apuração das responsabilidades individuais. A alegação da jovem de que desconhecia o caráter criminoso da conduta será incorporada ao procedimento, assim como o silêncio adotado pelo homem durante o interrogatório. Caberá às autoridades avaliar os elementos reunidos e encaminhar o caso à Justiça.
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