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Gatos de advogada assassinada foram enforcados com corda usada no crime

Julgamento revelou que três dos cinco animais de Karize Ana Fagundes Lemos foram mortos no mesmo dia; ex-companheiro recebeu pena de 31 anos e 10 meses.

Os gatos da advogada Karize Ana Fagundes Lemos, de 33 anos, também foram vítimas da violência que marcou o assassinato da tutora em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Durante o julgamento do caso, realizado na quinta-feira (10), veio à tona que três dos cinco felinos que viviam com ela foram mortos no mesmo dia do crime, em 28 de setembro de 2024. As investigações indicam que os animais podem ter sido enforcados com a mesma corda de sisal utilizada para matar Karize.

O detalhe acrescentou uma dimensão ainda mais cruel ao caso, julgado quase dois anos depois do homicídio. Karize era conhecida pelo vínculo com os animais e costumava resgatar gatos encontrados nas ruas, providenciando tratamento antes de encaminhá-los para adoção. Em casa, cuidava de cinco felinos.

Detalhes do crime e a morte dos animais

De acordo com as investigações apresentadas durante o julgamento, Karize foi enforcada dentro da própria residência com uma corda de sisal retirada de um arranhador de gatos. Ela estava se recuperando de uma cirurgia nos rins quando foi atacada pelo então companheiro, Eloid da Cruz Antunes.

A apuração também apontou que três dos gatos foram mortos naquele dia, possivelmente com a mesma corda. Outros dois animais conseguiram deixar o local antes de serem atacados. A informação sobre a morte dos felinos ganhou repercussão após ser apresentada no julgamento.

Karize havia manifestado o desejo de encerrar o relacionamento. Segundo a acusação sustentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e teve o ciúme como motivação.

Corpo foi levado para outro estado

Depois de matar a advogada, Eloid colocou o corpo em um veículo e deixou Santa Catarina em direção ao Paraná. Os restos mortais de Karize somente foram encontrados cerca de 40 dias depois, em uma área de mata no município de Palmas, no Paraná, a aproximadamente 150 quilômetros de Caçador.

O desaparecimento mobilizou familiares e autoridades durante semanas. A identificação da vítima foi realizada por meio da comparação da arcada dentária com um exame odontológico recente, além da análise de outros elementos reunidos durante a investigação.

Karize estava em uma fase de construção da carreira profissional. Meses antes do assassinato, havia aberto o próprio escritório de advocacia e comprado um carro. Paralelamente à atividade profissional, mantinha forte ligação com a causa animal.

Condenação ultrapassa 31 anos

Após uma sessão que durou quase 15 horas, o Tribunal do Júri da Comarca de Caçador condenou Eloid da Cruz Antunes a 31 anos e 10 meses de prisão pelo homicídio qualificado da advogada e pela ocultação do cadáver. Ele confessou o crime durante o interrogatório no julgamento.

O homicídio foi analisado conforme a legislação vigente na época dos fatos, em setembro de 2024. Entre as qualificadoras consideradas estavam o contexto de violência doméstica, motivo torpe relacionado ao ciúme, emprego de asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, que estava debilitada enquanto se recuperava da cirurgia.

Sete testemunhas foram ouvidas durante o júri, incluindo familiares e pessoas próximas a Karize, policiais que participaram da investigação, uma frentista e dois amigos que receberam uma ligação do acusado depois do assassinato.

O julgamento encerrou uma das principais etapas judiciais de um caso marcado não apenas pela morte da advogada e ocultação de seu corpo, mas também pela revelação de que três animais pelos quais ela tinha especial dedicação foram mortos no mesmo episódio.

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