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Delegada do Pará presa em operação contra o PCC recebeu R$ 47 mil

Polícia Civil do Pará colaborou com as diligências da Operação Sinalagma, que também cumpriu mandados de busca em Belém. Foto: divulgação

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, integrante da Polícia Civil do Pará, recebeu R$ 47.262,13 em vantagens brutas na folha de pagamento de setembro de 2026, segundo os dados exibidos no Portal da Transparência do Estado. O valor reúne gratificações, adicionais e outras verbas vinculadas ao cargo público.

A autoridade policial foi presa na quinta-feira, 15 de outubro, em Brasília, durante a Operação Sinalagma, que investiga suspeitas de colaboração entre agentes públicos e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, ela teria repassado informações sigilosas e oferecido proteção institucional a membros da organização criminosa.

Dados estão disponíveis na Transparência

O demonstrativo de pagamento de Maria Virgínia apresenta diferentes parcelas remuneratórias. Entre os valores registrados na competência de setembro de 2026, estão gratificações por tempo de serviço, dedicação exclusiva, risco de vida e atividade na área judiciária.

O maior valor individual exibido na lista é o adicional por tempo de serviço, de R$ 11.293,50. O documento também registra gratificação por tempo integral, de R$ 3.529,22, e gratificação por dedicação exclusiva, igualmente de R$ 3.529,22.

Além disso, a folha inclui R$ 5.041,74 em gratificação de risco de vida e o mesmo valor em gratificação relacionada à atividade judiciária. A remuneração também apresenta gratificação de escolaridade, de R$ 4.033,39, e adicional por curso especializado, de R$ 1.008,35.

Outro lançamento corresponde à gratificação por exercício na área de Polícia Judiciária, também de R$ 1.008,35. O demonstrativo ainda registra vencimento decorrente de decisão judicial, no valor de R$ 5.041,74, além de gratificação de plantão de R$ 4.946,40, referente à competência de agosto de 2026.

A lista inclui, ainda, auxílio-alimentação de R$ 1.799,99, abono extraordinário de R$ 868,64 e duas parcelas de auxílio-transporte: R$ 75,25, na competência de outubro, e R$ 44,60, em agosto.

Por que a delegada foi presa?

Maria Virgínia foi presa no Distrito Federal durante uma fase da Operação Sinalagma. A investigação apura a possível participação de agentes públicos em um esquema de favorecimento a integrantes do PCC.

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, a delegada é suspeita de receber R$ 50 mil para compartilhar informações restritas, permitir acesso a sistemas de segurança pública e oferecer proteção institucional a integrantes da facção. As suspeitas ainda dependem da apuração judicial, e a prisão não representa condenação.

As investigações também apontam uma possível ligação entre a policial e Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”. Ele é apontado como uma das lideranças do PCC na região de Muro Alto, em Ipojuca, no litoral de Pernambuco, e foi preso em janeiro de 2025.

O caso avançou após os investigadores apreenderem o celular de Renato. Com autorização judicial, as equipes analisaram os dados do aparelho e identificaram conversas que levantaram suspeitas sobre a relação entre os dois e um possível compartilhamento de informações confidenciais.

Buscas ocorreram em Belém

A operação mobilizou equipes em diferentes cidades, incluindo Belém, Recife, São Paulo e Brasília. No Pará, os policiais cumpriram mandados de busca na residência da delegada e no gabinete que ela ocupava na Divisão de Polícia Administrativa, na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil.

O inquérito também apura possíveis crimes de corrupção e violação de sigilo funcional. Além disso, a investigação mais ampla examina suspeitas de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Segundo as informações divulgadas sobre a operação, os investigadores utilizaram dados telemáticos, informações de inteligência e relatórios financeiros para avançar na apuração.

O que diz a Polícia Civil do Pará?

Em nota, a Polícia Civil do Pará informou que prestou apoio operacional à Polícia Civil de Pernambuco no cumprimento das diligências realizadas em território paraense. A instituição confirmou que uma das pessoas investigadas pertence ao quadro da corporação.

A Polícia Civil também declarou que, após a conclusão dos procedimentos da operação, terá acesso integral aos fatos e encaminhará os autos à Corregedoria-Geral para análise.

“Assim que concluídos os procedimentos da operação, a instituição tomará conhecimento integral dos fatos e os autos serão encaminhados à Corregedoria-Geral da Polícia Civil para análise e adoção das medidas correcionais cabíveis, com o rigor que o caso requer e com a observância ao devido processo legal”, declarou a instituição.

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