Um caso de contaminação alimentar provocou a interdição de duas lojas da rede Casa de Bolos e a prisão de uma empresária de 41 anos em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A investigação começou depois que um cliente denunciou ter encontrado um rato morto dentro de um bolo comprado em uma unidade da franquia, no bairro Cavalhada. O consumidor e a esposa chegaram a comer o produto durante três dias antes de perceber a presença do animal no interior da massa.
A prisão ocorreu na quarta-feira (14), durante uma operação conjunta da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária. Nas inspeções, os agentes encontraram fezes e urina de roedores, alimentos vencidos e condições inadequadas de higiene nos estabelecimentos. A proprietária foi detida em flagrante por suspeita de crime contra as relações de consumo, mas acabou liberada após audiência de custódia, realizada na quinta-feira (15), e responderá à investigação em liberdade.
O episódio ganhou repercussão nacional pela gravidade das imagens divulgadas pela polícia, que mostram o roedor inteiro dentro do alimento parcialmente consumido. Fotografias da fiscalização também registraram sujeira e vestígios de animais em áreas utilizadas para a preparação dos produtos.
Casal consumiu alimento durante três dias
Segundo a investigação, o bolo foi comprado em 29 de setembro. O consumidor e a esposa comeram o produto durante dois dias sem perceber qualquer anormalidade. Somente no terceiro dia, quando voltaram a consumir o alimento, encontraram o rato morto no interior da massa.
O casal procurou atendimento com um médico infectologista e recebeu orientação para iniciar tratamento preventivo contra leptospirose, doença que pode ser transmitida pelo contato com água ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados.
De acordo com a delegada Milena Simioli, responsável pela investigação, nenhum dos dois havia apresentado problemas de saúde até a atualização divulgada nesta sexta-feira (16). A adoção do tratamento ocorreu por precaução, diante da possibilidade de exposição a agentes infecciosos.
Polícia encontrou sujeira e produtos vencidos
A denúncia mobilizou agentes da Delegacia de Polícia de Proteção aos Direitos do Consumidor (Decon), da 13ª Delegacia de Polícia da Capital e da Vigilância Sanitária, que realizaram inspeções em estabelecimentos situados na Zona Sul e no Centro de Porto Alegre.
Durante a fiscalização, foram identificados vestígios de urina e fezes de roedores em diferentes ambientes, inclusive sobre materiais utilizados na produção dos alimentos. Os agentes também encontraram mercadorias com prazo de validade expirado e falhas nas condições de limpeza e armazenamento.
Diante das irregularidades, os dois estabelecimentos fiscalizados foram interditados. A operação faz parte da chamada Operação Expurgo, iniciativa permanente da Polícia Civil gaúcha destinada a combater práticas comerciais que possam comprometer a saúde e a segurança dos consumidores.
Empresária foi solta após audiência
A proprietária da unidade Cavalhada, de 41 anos, foi presa em flagrante durante a operação. Sua identidade não foi divulgada pelas autoridades.
Na quinta-feira (15), a Justiça concedeu liberdade provisória à empresária, que continuará respondendo à investigação por suspeita de crime contra as relações de consumo.
Segundo a delegada Milena Simioli, uma das condições estabelecidas para a liberdade foi a adequação dos estabelecimentos às normas sanitárias. A liberação da investigada não significa o encerramento do procedimento policial nem autoriza automaticamente a reabertura das lojas interditadas.
A Polícia Civil deverá reunir os elementos obtidos durante as inspeções para apurar as responsabilidades pelas irregularidades encontradas.
Franquia lamenta episódio e anuncia apuração
Após a repercussão, a Casa de Bolos divulgou uma nota oficial lamentando o episódio ocorrido na unidade Cavalhada. A rede afirmou que considera inaceitável qualquer situação capaz de comprometer a segurança alimentar dos consumidores.
A empresa esclareceu que suas unidades são administradas por franqueados independentes, mas ressaltou que todos devem cumprir as diretrizes operacionais e sanitárias estabelecidas pela marca.
A franqueadora informou ainda que acompanha a investigação junto às autoridades e ao departamento jurídico, além de realizar uma apuração interna para esclarecer o ocorrido e avaliar eventuais medidas contratuais contra os responsáveis.
Riscos à saúde e direitos do consumidor
A presença de roedores em estabelecimentos alimentícios representa risco sanitário devido à possibilidade de contaminação dos produtos e das superfícies utilizadas no preparo. Além da leptospirose, condições inadequadas de armazenamento e manipulação podem favorecer outras doenças transmitidas por alimentos.
O Código de Defesa do Consumidor estabelece a responsabilidade dos fornecedores pela segurança dos produtos comercializados. Dependendo das circunstâncias e dos danos comprovados, episódios dessa natureza também podem resultar em pedidos de indenização na Justiça.
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