O Tribunal do Júri de Belém julga nesta terça-feira (25) Lucas Magalhães, acusado de envolvimento na morte de Yasmin Fontes Cavaleiro de Macêdo. A sessão acontece no Fórum Criminal de Belém e é acompanhada pela família da jovem.
Após quatro anos e oito meses de espera, Eliene Cristina Fontes, mãe de Yasmin, acompanha o julgamento ao lado de familiares, amigos e advogados.
Veja imagens do julgamento do caso Yasmin em Belém.
Mãe de Yasmin espera por condenação
Antes do julgamento, Eliene falou sobre a expectativa da família após anos de espera por uma resposta da Justiça. Veja:
“A expectativa é que o júri venha e a gente consiga provar que as negligências e imprudências do Lucas existiram e que a condenação consiga vir, consiga vir e que a gente consiga, é, nossa vitória, durante que nós lutamos durante esses quatro anos e oito meses. (…) Esperamos que a verdade possa acontecer, possa aparecer e que a gente saia vitorioso desse tribunal.”
Eliene também contou que continua fazendo tratamento desde a morte da filha.
“Continuo fazendo tratamento, continuo tomando remédio, continuo, é, fazendo terapia. A minha vida mudou muito com a perda da minha única filha.”
Sobre a busca por justiça, ela afirmou:
“Claro, eu não tenho isso, durante esses quatro anos e oito meses, a minha vida foi só lutar por justiça.”
Eliene cita acusações contra Lucas
Durante a entrevista, a mãe de Yasmin também falou sobre os fatos que, segundo ela, sustentam a expectativa da família pela condenação.
“E, é… e estamos esperando só por isso. (…) O Lucas, ele responde por homicídio, porte ilegal de arma, é, obstrução de provas, homicídio, imprudência, sem socorrer vidas, é, é, tiro de arma de fogo, é, superlotação de lancha, dirigir lancha sem habitação, bêbado. É, fatos que levam para o dolo eventual.”
No processo, Lucas Magalhães responde por acusações relacionadas à morte de Yasmin, incluindo homicídio com dolo eventual, fraude processual e porte e disparo ilegal de arma de fogo.
Mãe questiona versões sobre a noite
Ao ser perguntada sobre os relatos das pessoas que estavam com Yasmin no passeio, Eliene afirmou considerar as versões contraditórias.
“Elas não falam nada com nada, elas são várias, é, histórias contraditórias. É, cada uma fala uma coisa, primeiro falam que não viram nada e, depois, uma menina fala uma coisa, a outra fala outra coisa, a primeira que depois agora diz que não lembra de nada, praticamente. É uma amnésia na menina.”
A mãe de Yasmin também afirmou que a família não acredita que a morte da jovem tenha sido uma fatalidade ou acidente.
“Nós só queremos que a verdade apareça, nós queremos saber o que aconteceu de fato naquela noite, que fatalidade e acidente a família não acredita que foi.”
‘Eu tô esperançosa’, diz Eliene
A mãe de Yasmin afirmou estar confiante no julgamento e no trabalho do advogado que representa a família.
“Eu tô esperançosa, eu tô confiante. Confio no trabalho do meu advogado, confio em Deus, e eu tô muito esperançosa.”
Eliene também falou sobre o impacto de reencontrar Lucas Magalhães durante o julgamento.
“E para você ver o Lucas novamente não é um sentimento bom, não era o que eu queria que acontecesse. Eu queria tá vivendo a minha vida normalmente. Eu queria eh se eu pudesse voltar o tempo, não deixaria ela mudar de academia para não conhecê-lo. Eu queria ter a Yasmin de volta e ver o Lucas não é uma coisa que me faz bem.”
Como é o julgamento?
O caso é analisado pelo 2º Tribunal do Júri de Belém, sob a presidência do juiz Homero Lamarão Neto.
A acusação é conduzida pelo promotor de Justiça Edson Augusto Cardoso de Souza, que atua na sessão do Tribunal do Júri.
O Conselho de Sentença acompanha os depoimentos e analisa as provas apresentadas durante o julgamento. Acusação e defesa também apresentam suas teses aos jurados.
Depois dos depoimentos e dos debates, os integrantes do Conselho de Sentença respondem aos quesitos e decidem sobre a responsabilidade criminal do réu. A decisão é comunicada ao juiz presidente, que profere a sentença.
O Ministério Público indicou quatro testemunhas. Acusação e defesa indicaram conjuntamente uma quinta, enquanto a defesa apresentou outras quatro testemunhas próprias.
Relembre o caso Yasmin
Yasmin Fontes Cavaleiro de Macêdo tinha 21 anos, era estudante de Medicina Veterinária e influenciadora digital.
Ela desapareceu em 12 de dezembro de 2021, durante um passeio de lancha pelo rio Maguari, em Belém. O corpo da jovem foi encontrado no dia seguinte.
Segundo as investigações, Yasmin morreu por afogamento. Lucas Magalhães era o proprietário da embarcação utilizada no passeio.
Desde então, a família acompanha os desdobramentos do processo e cobra respostas sobre o que aconteceu naquela noite.
Julgamento pode durar mais de um dia
A quantidade de testemunhas pode fazer com que o julgamento se estenda por mais de um dia. A própria Eliene acredita que a sessão possa durar pelo menos dois dias.
“Ah. São muitas testemunhas, foram muitas histórias contadas no decorrer do inquérito. Acredito que pelo menos 2 dias.”
Os trabalhos seguem no Fórum Criminal de Belém, com depoimentos de testemunhas, manifestações da acusação e da defesa e, posteriormente, a votação dos quesitos pelos sete jurados.
Momento do julgamento em que testemunha relata os últimos momentos de Yasmin antes da tragédia. Acompanhe os detalhes da sessão em Belém.
O que você espera do julgamento do caso Yasmin?
*Com informações do repórter fotográfico Antônio Melo
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