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Caso Gisele Alves: interrogatório de tenente-coronel acusado de feminicídio é adiado novamente

Policiais militares relataram à Polícia Civil que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto agrediu a soldado Gisele Alves Santana dentro do quartel-general da Polícia Militar

O interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi novamente adiado pela Justiça de São Paulo. O depoimento, que estava marcado para esta sexta-feira (28), foi remarcado para 8 de setembro, às 10h.

A decisão foi tomada pela 5ª Vara do Júri do Foro Central Criminal de São Paulo após a perita responsável pelo caso pedir mais tempo para concluir uma complementação do laudo pericial. A defesa de Geraldo havia solicitado que o documento fosse anexado ao processo antes do interrogatório.

O Instituto de Criminalística recebeu prazo adicional de cinco dias, sem possibilidade de prorrogação, para entregar a prova complementar. Como o tenente-coronel está preso preventivamente, a Justiça determinou que ele seja requisitado para participar do interrogatório na nova data.

O depoimento será a última etapa da instrução processual. Antes dele, foram realizadas quatro dias de audiências, nas quais prestaram depoimento testemunhas de acusação e defesa, incluindo policiais militares, peritos criminais, delegados, médicos do resgate, familiares de Gisele e a filha da vítima, de 7 anos.

Depois do interrogatório, o processo seguirá para a próxima fase, quando a Justiça decidirá os próximos passos da ação penal, incluindo a possibilidade de julgamento pelo Tribunal do Júri.

Acusação contra o tenente-coronel

Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, responde por feminicídio qualificado e fraude processual. Ele permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

Gisele Alves Santana, de 32 anos, morreu em 18 de fevereiro, após ser atingida por um disparo na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, na região central de São Paulo.

Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. Geraldo, porém, passou a ser investigado e posteriormente denunciado pelo Ministério Público por feminicídio. Ele nega a acusação e sustenta que a esposa cometeu suicídio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o tenente-coronel teria segurado Gisele por trás e disparado contra a cabeça dela a curta distância. A acusação afirma ainda que ele teria esperado cerca de 30 minutos antes de chamar o socorro e, nesse intervalo, alterado a cena do crime para tentar fazer a morte parecer um suicídio.

Entre os elementos analisados pela investigação estão ferimentos no pescoço e na mandíbula da vítima, além de manchas de sangue com características de gotejamento encontradas na bermuda usada pelo acusado no dia da morte.

Agressões dentro do quartel

Antes da morte de Gisele, policiais militares relataram à Polícia Civil que o tenente-coronel teria agredido a soldado dentro do quartel-general da PM.

Os depoimentos apontaram que o comportamento considerado violento e ciumento do oficial era conhecido entre integrantes da corporação. Dois policiais relataram que Geraldo teria segurado Gisele pelos braços e a pressionado contra a parede em um corredor que ligava o setor administrativo à reserva de armas.

Outro depoimento menciona que o oficial teria levado a mão ao pescoço da soldado. Segundo os relatos, uma das agressões teria sido registrada por câmeras de segurança.

Testemunhas também afirmaram que o comandante-geral da PM tinha conhecimento de episódios envolvendo o casal e chegou a conversar com Gisele. Em determinado momento, Geraldo teria sido proibido de entrar no prédio onde a soldado trabalhava.

Apesar dos relatos, não havia registro de investigação formal na ficha funcional do tenente-coronel, segundo os depoimentos.

Colegas ainda descreveram o comportamento de Geraldo como obsessivo e extremamente ciumento. Conforme os relatos, ele aparecia sem aviso no local de trabalho da esposa, observava conversas e tentava controlar as interações dela com outros policiais.

Em um dos episódios relatados, o oficial teria perseguido uma sargento depois de ouvir um comentário sobre a aparência de Gisele e precisou ser contido por colegas.

O que acontece agora?

Com o novo adiamento, Geraldo Leite Rosa Neto deverá ser interrogado em 8 de setembro, às 10h. O depoimento encerra a fase de instrução do processo.

A partir daí, a Justiça deverá analisar o conjunto de provas e definir o prosseguimento da ação penal. O caso tramita na Justiça comum, após entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que crimes dolosos contra a vida devem ser julgados pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar

O post Caso Gisele Alves: interrogatório de tenente-coronel acusado de feminicídio é adiado novamente apareceu primeiro em Diário do Pará.

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