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A nova face dos golpes: como o falso advogado engana vítimas no Brasil

Criminosos usam dados reais de processos e identidade de advogados para convencer vítimas a realizar transferências bancárias. Investigado foi preso no Ceará durante nova fase da Operação Data Vênia, conduzida pelas polícias civis do Pará e do Ceará.

A Operação Data Vênia resultou na prisão de mais um suspeito de integrar um grupo criminoso investigado por aplicar golpes eletrônicos em vítimas de diferentes Estados. A captura ocorreu na última quinta-feira (30) durante uma ação conjunta da Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Pará com a Polícia Civil do Ceará.

O investigado, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, foi localizado após novas diligências realizadas no Ceará. Segundo a investigação, ele seria o responsável direto pela aplicação das fraudes, fazendo o primeiro contato com as vítimas e conduzindo todas as etapas do golpe por meio eletrônico.

A prisão deu continuidade às ações iniciadas em 23 de julho, quando foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra outros dois investigados na cidade de Morada Nova, no Ceará. As informações obtidas durante essa fase permitiram que os policiais identificassem e capturassem mais um suposto integrante do grupo.

Polícias do Pará e Ceará prenderam mais um investigado da Operação Data Vênia, suspeito de aplicar golpes eletrônicos contra várias vítimas. Criminosos usam dados reais de processos e identidade de advogados para convencer vítimas a realizar pagamentos fraudulentos. Fotos: Reprodução.

Golpe do falso advogado: como funciona a fraude

As investigações apontam que os criminosos teriam começado a atuar no chamado golpe da falsa central bancária e, posteriormente, migrado para o golpe do falso advogado. Nessa modalidade, os suspeitos utilizam informações de processos judiciais obtidas pela internet ou por pessoas com acesso a documentos para se passar pelos verdadeiros representantes jurídicos das vítimas.

De posse dos dados, os golpistas entram em contato com cidadãos que possuem pendências de pagamento ou valores relacionados a processos na Justiça brasileira. A estratégia permite que os criminosos apresentem informações verdadeiras e ganhem a confiança das vítimas antes de solicitar transferências ou pagamentos fraudulentos.

O homem preso possui diversas passagens policiais, entre elas um registro por roubo a instituição financeira. Os elementos reunidos durante as investigações também indicam uma possível ligação do suspeito com uma facção criminosa.

Para os investigadores, o caso demonstra uma mudança na atuação de integrantes de organizações criminosas anteriormente ligados a roubos e ao tráfico de drogas. Esses grupos passaram a investir em fraudes eletrônicas devido ao elevado retorno financeiro e à possibilidade de atingir vítimas em vários Estados sem contato presencial.

Investigado foi localizado no Ceará após novas diligências realizadas pelas polícias dos dois Estados no avanço da Operação Data Vênia. Contatos por WhatsApp e telefone são os meios mais utilizados pelos golpistas para aplicar o falso golpe do advogado.

Celular apreendido com suspeito

Durante o cumprimento do mandado, os policiais apreenderam um aparelho celular que estava com o suspeito. O equipamento foi encaminhado à Polícia Científica para perícia técnica, extração e análise dos dados armazenados.

O material poderá ajudar a identificar outros possíveis envolvidos, esclarecer a dinâmica dos golpes e reunir novas provas. As polícias civis do Pará e do Ceará permanecem com as investigações para responsabilizar criminalmente todos os integrantes do esquema.

O preso fazia o primeiro contato com as vítimas e conduzia todas as etapas da fraude eletrônica. Grupo criminoso teria migrado do golpe da falsa central bancária para o golpe do falso advogado, com atuação em diferentes Estados do país. Polícia busca identificar outros envolvidos, esclarecer a dinâmica dos crimes e responsabilizar criminalmente todos os integrantes do grupo.

Como se prevenir do golpe

O golpe do falso advogado tem avançado em todo o país e feito vítimas ao utilizar informações verdadeiras de processos judiciais para dar credibilidade às fraudes. Os cidadãos devem redobrar os cuidados diante de contatos suspeitos envolvendo ações judiciais, precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPVs). Criminosos se passam por advogados, assessores jurídicos ou funcionários de escritórios de advocacia utilizando nomes, fotografias, números de inscrição na OAB e até documentos forjados para convencer as vítimas de que possuem valores a receber.

O esquema começa com a coleta de informações em bases públicas, plataformas processuais ou meios ilícitos, permitindo aos golpistas obter dados como nome completo, CPF, número do processo, tipo da ação e até o nome do advogado constituído. Em seguida, o contato ocorre geralmente por telefone ou aplicativos de mensagens, principalmente WhatsApp, sempre acompanhado de uma justificativa para transmitir urgência e impedir que a vítima confirme as informações diretamente com seu advogado.

Documentos falsificados com timbres oficiais reforçam a aparência de autenticidade da fraude, alerta o TRF3. Qualquer cobrança deve ser checada diretamente com o advogado antes de fazer transferências bancárias. Pagamentos via PIX para liberar supostos créditos judiciais são um dos principais sinais do golpe do falso advogado.

Criminosos tornam fraude coinvincente

Para tornar a fraude ainda mais convincente, os criminosos encaminham documentos falsificados com brasões oficiais, timbres de tribunais, supostas sentenças, despachos judiciais, cálculos periciais e ofícios de liberação de valores assinados de forma fraudulenta. Em alguns casos, utilizam vídeos, áudios com linguagem jurídica, perfis falsos em redes sociais e até cópias de peças processuais para dar aparência de autenticidade.

A etapa final consiste na exigência de pagamentos antecipados via PIX ou depósito bancário, sob alegação de “taxa de desbloqueio”, “despesas cartorárias”, “emolumentos”, imposto de renda, IVA ou outros custos fictícios para liberar os valores supostamente devidos. Após receber o dinheiro, os criminosos encerram o contato e bloqueiam a vítima.

Como se proteger do golpe do falso advogado

Especialistas recomendam nunca realizar pagamentos antecipados sem confirmação direta com o advogado de confiança, verificar se a conta bancária indicada pertence efetivamente ao profissional responsável pelo processo, desconfiar de contatos inesperados que imponham urgência, confirmar a identidade do advogado junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ou ao escritório informado, evitar fornecer dados pessoais e bancários por telefone ou mensagens e priorizar sempre os canais oficiais de comunicação.

Caso haja suspeita de fraude, a orientação é avisar imediatamente o advogado, registrar boletim de ocorrência e preservar mensagens, áudios, vídeos e documentos recebidos, que poderão servir como prova. Uma dica importante: advogados legítimos não solicitam depósitos via PIX para liberar valores decorrentes de processos judiciais.

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