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61 socos na namorada: Júri popular vai julgar ex-atleta por tentativa de feminicídio

Igor Eduardo Pereira Cabral será julgado por tentativa de feminicídio contra Juliana Soares e permanece preso preventivamente em Natal.

O júri popular decidirá se Igor Eduardo Pereira Cabral será condenado por tentativa de feminicídio contra a então namorada, Juliana Soares. A 1ª Vara Criminal de Natal pronunciou o ex-atleta em decisão divulgada na terça-feira, 23 de junho de 2026, e manteve a prisão preventiva. A data do julgamento ainda não foi marcada.

O caso ocorreu em julho de 2025, dentro do elevador de um condomínio na zona Sul de Natal, no Rio Grande do Norte. Câmeras de segurança registraram Igor desferindo 61 socos contra Juliana. O porteiro acompanhou as imagens e acionou a polícia, que prendeu o acusado em flagrante.

Juliana sofreu lesões graves, precisou passar por cirurgia reconstrutiva e ficou com sequelas permanentes. Na decisão de pronúncia, o juízo afirmou que “a autoria material é inequívoca” e considerou que as gravações, os laudos e os demais documentos reunidos no processo sustentam a acusação apresentada pelo Ministério Público.

Defesa tenta afastar acusação de feminicídio

Igor responderá por feminicídio tentado com duas qualificadoras. A decisão de pronúncia não representa condenação, mas reconhece a existência de indícios suficientes para que o caso seja analisado pelos jurados, responsáveis por decidir se houve intenção de matar e se as qualificadoras devem ser aplicadas.

A defesa argumentou que, apesar da gravidade das lesões, a vítima não teria apresentado risco clínico imediato de morte. A Justiça rejeitou o pedido para afastar a acusação nesta fase e destacou que “a ausência de um quadro clínico imediato de perigo de vida não exclui, por si só, a configuração do crime na modalidade tentada”.

O magistrado também manteve a prisão preventiva ao considerar a gravidade concreta do caso e o risco de reiteração. A defesa ainda poderá recorrer da decisão que enviou o processo ao Tribunal do Júri. Até a publicação da reportagem, não havia nova manifestação dos advogados do acusado.

Relato da vítima e repercussão do caso

Em entrevista concedida após o crime, Juliana afirmou que ouviu do então namorado a frase “você vai morrer” antes das agressões. “Eu resisti, ele falhou no plano dele”, declarou. O relato integra a repercussão pública de um caso que mobilizou campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher.Igor permanece preso preventivamente.

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