O navio Haidar naufragou em 6 de outubro de 2015, durante uma operação de embarque de bovinos vivos no Porto de Vila do Conde. A embarcação, de bandeira libanesa, transportava aproximadamente 5 mil animais e cerca de 700 toneladas de óleo com destino à Venezuela. Quase 4.900 bois morreram no acidente.
Onze anos depois, a estrutura continua no fundo do rio Pará, no berço de atracação 302 do porto. Parte do casco permanece visível acima da água, como mostra um registro feito em setembro e compartilhado nas redes sociais.
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A imagem reacendeu críticas sobre a demora para retirar a embarcação. No vídeo, a pessoa que fez o registro afirma que o navio continua atrapalhando a rotina do porto e questiona o que ainda falta para que a operação seja concluída. “Navio que tá afundado aqui no Porto de Vila do Conde. Olha como é que ele tá aí.”
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Na sequência, o autor do vídeo mostra a estrutura parcialmente exposta e comenta que a embarcação estaria em condições de ser levada para uma área seca para ser desmontada. “Não sei o que é que tá faltando. Estão esperando a maré de setembro agora que é para ele ser retirado. Mas o navio tá todo aqui, ó.”
BERÇO CONTINUA SEM UTILIZAÇÃO:
A permanência do Haidar não representa apenas uma marca visível do desastre ambiental de 2015. A embarcação também interfere diretamente na atividade portuária.
Documentos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) registram que a carcaça não havia sido removida do berço de atracação 302 e que a situação prejudicava o acesso e a operação de outros berços do Porto de Vila do Conde. Em processo administrativo, a agência apontou que a Companhia Docas do Pará (CDP), autoridade portuária, não havia promovido a retirada dentro do prazo estabelecido.
Em 2025, a CDP informou que buscava alternativas para viabilizar a retirada e mencionou a possibilidade de inclusão do serviço em um futuro arrendamento da área VDC10, cuja licitação era prevista para 2026.
TENTATIVAS DE RETIRADA NÃO AVANÇARAM
A retirada do Haidar não é uma discussão recente. Em 2021, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou o início de uma operação para reflutuar e remover a estrutura, com investimento previsto de R$ 51,2 milhões.
Naquele momento, o plano previa a recuperação da embarcação e a restauração das condições de trafegabilidade no local. A operação contava com participação da Marinha, da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, da Semas, da CDP e do próprio DNIT.
A Marinha havia autorizado naquele ano o plano de salvamento, que previa a verticalização, a reflutuação e a varação do Haidar. A Capitania dos Portos da Amazônia Oriental ficaria responsável por acompanhar e fiscalizar a execução dos trabalhos. O projeto, entretanto, não resultou na retirada definitiva da embarcação.
MPF COBRA REMOÇÃO DEFINITIVA
A permanência do navio também voltou a ser alvo de medidas judiciais. Em novembro de 2025, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação para exigir a remoção definitiva da carcaça do Haidar e a retirada dos resíduos oleosos ainda existentes na embarcação.
O MPF pediu ainda indenização de pelo menos R$ 5 milhões por dano moral coletivo, além de R$ 91,4 mil referentes a prejuízos ambientais já calculados.
A tragédia de 2015 provocou impactos que ultrapassaram os limites do porto. O naufrágio provocou vazamento de óleo e a dispersão de carcaças de animais, atingindo áreas de comunidades ribeirinhas e afetando atividades como pesca e turismo.
O QUE DIZEM AS AUTORIDADES MARÍTIMA E PORTUÁRIA
O DOL solicitou à Capitania dos Portos da Amazônia Oriental e à Companhia Docas do Pará (CDP) informações atualizadas sobre a situação do navio Haidar, o andamento do processo de retirada e a existência de previsão para a conclusão dos trabalhos.
Também foram questionadas as condições de segurança da estrutura parcialmente submersa e os procedimentos previstos para uma eventual operação de remoção.
Até a publicação desta matéria, a autoridade marítima e a administração portuária não haviam encaminhado resposta.
“PRONTO PARA SER ARRASTADO”
No vídeo registrado em setembro, o autor demonstra indignação com o tempo de permanência da embarcação no local. “Tranquilo, pronto para ser arrastado lá pro seco e ser demolido ele, ser cortado como um ferro velho.”
VEJA O VÍDEO:






