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Pará lidera como o maior produtor de dendê do Brasil, diz pesquisa

Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro tem crescido e passado por mudanças importantes, com algumas áreas ganhando mais destaque. Entre elas, o cultivo de oleaginosas vem avançando e chamando atenção pelo crescimento, principalmente na região Norte, onde as condições favorecem a produção.

O mais novo estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) destaca a cadeia produtiva do dendê com uma das fases mais dinâmicas do agronegócio brasileiro, com um crescimento vantajoso nas últimas décadas. No centro desse avanço está o estado do Pará, que responde hoje por quase toda a produção nacional, consolidando-se como eixo estratégico do setor.

A Nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, com dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a produção brasileira saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024. Um crescimento superior a 13 vezes no período. O ritmo foi intensificado a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força depois de 2018.

O estudo evidência a consolidação produtiva, a ampliação da escala de produção e a crescente concentração regional, especialmente na Região Norte. Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%, passando de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas. O avanço foi fortemente influenciado pelo desempenho do Pará, que ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas (+10,4%), mantendo participação de, aproximadamente, 97,1% do total nacional e reafirmando a elevada concentração territorial da atividade.

Nesse contexto, o Pará consolida- se como eixo praticamente hegemônico: a dinâmica nacional, em termos de quantidade e de valor, passa a ser determinada majoritariamente pelo desempenho paraense, que responde por cerca de 97% da produção e, aproximadamente, 98% do valor nacional em 2024.

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O conjunto dos dados revela uma cadeia robusta, altamente concentrada e economicamente relevante. O Pará não apenas lidera, mas praticamente define o desempenho nacional do dendê. A dendeicultura brasileira entra, assim, em uma nova fase: menos de expansão acelerada e mais de consolidação estratégica.

Outros estados, como Roraima e Bahia, apresentam crescimento, mas ainda com participação marginal, juntos, somam menos de 3% da produção brasileira. Essa concentração também se reflete no nível municipal. Apenas dez municípios paraenses respondem por cerca de 90% do volume produzido no país. Tailândia lidera com quase um terço da produção nacional, seguida por Tomé-Açu e Moju.

Emprego e renda – A cadeia do dendê também possui forte impacto no emprego e no meio ambiente. No mercado de trabalho, o Pará concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, evidenciando sua centralidade econômica.

“Se o Pará é campeão na produção de dendê, com quase 100% da produção nacional, a geração de empregos é também proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva, sendo a locomotiva do país nesse segmento, com o Pará campeão na produção e na geração de empregos no cenário nacional da cultura do dendê”, afirma o professor Márcio Ponte, responsável pelo estudo.

Dendeicultura também contribui para preservação ambiental

No campo ambiental, a dendeicultura paraense tem sido associada à recuperação de áreas degradadas. No contexto agropecuário dessa cultura também observa-se trajetória de crescimento expressivo na quantidade de CO₂ capturado por florestas de dendê cultivado no Pará entre 2000 e 2024.

A área reflorestada com dendê no estado ultrapassa 200 mil hectares, enquanto a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024.

De acordo com o estudo, a análise espacial confirma elevada concentração e especialização produtiva em poucos municípios, embora haja sinais recentes de redistribuição interna entre os principais polos. Em síntese, trata-se de uma cadeia consolidada, estratégica e altamente concentrada no Pará, com desafios relacionados ao aumento da produtividade, melhoria do financiamento, diversificação de mercados e sustentabilidade ambiental.

Assim, os dados da nota “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026” também mostram que no Pará o percentual da área total reflorestada com a espécie dendê em relação ao total de áreas de lavouras permanentes apresentou tendência geral de crescimento entre 2000 e 2024.

“Ademais também se apresenta como um vetor de reflorestamento, com seus cerca de 200 mil hectares de floresta cultivada e a captura de 13 milhões de toneladas de CO2 em 2024, e daí pode-se observar o tripé da produção, emprego, renda e reflorestamento com captura de carbono que o dendê paraense representa para o Brasil”, reitera a Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural da Fapespa.

Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, “O dendê é uma cultura que exige uma condição edafoclimática muito específica, e o estado do Pará está nessa faixa de zonas propícias ao cultivo dessa importante cultura para a indústria alimentícia, e também, atualmente, é importante para a área de produção de energia. Os biocombustíveis, eles são fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria como um todo, e o óleo de palma se presta muito bem a essa condição, e é por isso que é tão importante ver o Pará crescendo de uma maneira significativa nesses últimos anos”.

“O estudo da Fapespa traz essa realidade e vai ajudar certamente na tomada de decisão do setor público e do setor privado, através de decisões estratégicas para aumentar ainda a importância dessa cultura para a geração de emprego e renda na nossa região”, reforçou.

Serviço

Para mais informações e detalhes sobre o estudo, confira o material completo no site da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), acesse aqui.

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