Pacientes que passaram por amputações durante tratamentos no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, estão utilizando dispositivos personalizados para recuperar parte da autonomia nas atividades cotidianas.
As órteses são produzidas de acordo com as necessidades de cada paciente pela equipe de Terapia Ocupacional. O objetivo é adaptar ferramentas e movimentos para que pessoas que perderam membros ou tiveram lesões graves consigam realizar tarefas que antes faziam sem ajuda.
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Entre as atividades facilitadas pelos dispositivos estão alimentação, uso do celular e cuidados pessoais. A estratégia também busca contribuir para a autoestima e para a adaptação às mudanças provocadas pelo trauma.
“Quando pensamos em adaptação, não criamos apenas um dispositivo, mas buscamos devolver ao paciente a possibilidade de realizar atividades que fazem parte da sua vida e da sua identidade”, explica a terapeuta ocupacional Samanta Oliveira.
Adaptados para cada paciente
As necessidades variam conforme o tipo de amputação ou lesão. Por isso, não existe um único modelo de órtese utilizado em todos os casos.
De acordo com a profissional, os dispositivos podem ser desenvolvidos para diferentes regiões do corpo, incluindo mãos e punhos. Também existem modelos voltados ao posicionamento adequado dos dedos, de acordo com as limitações apresentadas pelo paciente.
Grande parte dos pacientes que precisam desse tipo de recurso está internada no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do hospital. Entre os casos estão pessoas que sofreram queimaduras graves provocadas por descargas elétricas e precisaram passar por amputações.
Comer e usar o celular voltam a ser possíveis
Um dos pacientes que recebeu o recurso foi Edilson Pereira, de 52 anos. Internado há mais de dois meses, ele passou a utilizar uma órtese durante o processo de recuperação.
O dispositivo permitiu que ele retomasse atividades simples da rotina, como se alimentar e mexer no celular. Para quem enfrenta uma amputação, tarefas consideradas comuns podem se transformar em grandes desafios durante o período de adaptação.
“Está ótimo. Estou conseguindo comer e mexer no celular. No começo, parece mais difícil, mas vou aprendendo. Estou comendo tudo o que aparece”, contou Edilson, em tom descontraído.
A retomada dessas atividades representa uma mudança importante no processo de reabilitação. Além de diminuir a dependência de outras pessoas, a possibilidade de realizar tarefas sozinho pode ajudar o paciente a recuperar confiança para lidar com a nova rotina.
Autonomia influencia recuperação emocional
O trabalho da Terapia Ocupacional não se limita à recuperação de movimentos. A equipe também considera os impactos emocionais e sociais provocados por uma amputação ou por um trauma grave.
Voltar a realizar atividades do cotidiano pode ajudar o paciente a lidar melhor com as mudanças decorrentes da lesão. Nesse processo, pequenas conquistas podem representar avanços importantes.
Valdemar Lima, de 62 anos, acompanha a recuperação de Edilson e destacou a diferença que a retomada da autonomia pode fazer.
“Eu achei muito interessante e fiquei muito feliz em ver que a equipe pensou em uma solução para ajudar ele nesse momento. Só de ter a oportunidade de voltar a se alimentar sozinho já fará uma diferença enorme na vida dele. São coisas simples do dia a dia, mas que fazem muita falta quando a pessoa perde a autonomia”, afirmou.
Para Samanta, a reabilitação precisa considerar o paciente como um todo e não apenas as limitações físicas provocadas pelo trauma.
“A reabilitação vai além da recuperação física. É preciso olhar para o paciente de forma integral e ajudá-lo a encontrar possibilidades para retomar sua rotina e seus projetos de vida”, ressalta.
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Reabilitação busca reconstruir rotina
Além das órteses, outras atividades são utilizadas durante a recuperação dos pacientes, como gameterapia e passeios terapêuticos. As estratégias ajudam a estimular habilidades e tornar o período de internação menos restritivo.
A proposta é que a recuperação não fique concentrada apenas no tratamento da lesão. Ao longo do processo, a equipe busca encontrar maneiras de permitir que o paciente volte a executar, dentro de suas novas condições, atividades relacionadas à alimentação, comunicação, autocuidado e convivência.
No caso de pessoas amputadas, recursos personalizados podem representar uma etapa importante para reconstruir a independência e facilitar a adaptação à vida após o trauma.






