Aos 98 anos, Rádio Clube do Pará reinventa pioneirismo do rádio na era digital

A história do rádio paraense se funde com a trajetória da Rádio Clube do Pará, que completa 98 anos no próximo dia 22 de abril. Fundada em 1928 por um grupo de amigos entusiastas da então novidade tecnológica da radiodifusão, a emissora nasceu como uma associação de pioneiros que ajudaram a moldar a comunicação no estado. Naquele ano, foi ao ar a primeira transmissão oficial sob o comando de nomes como Roberto Camelier, Eriberto Pio e Edgar Proença.

Quase um século depois, a Rádio Clube mantém vivo o peso da trajetória histórica que carrega e é líder de audiência no Estado. Não por acaso, ela é reconhecida como a quarta emissora mais antiga do Brasil e uma das mais importantes vozes do rádio esportivo nacional. Desde cedo, a emissora construiu uma identidade forte na cobertura do esporte paraense, especialmente na narração e acompanhamento de clubes como Remo e Paysandu, que seguem ocupando espaço central na programação diária.

Conteúdos relacionados: 

Esse vínculo com o esporte também se confunde com a própria formação de gerações de profissionais da casa. O diretor da equipe de esportes da Rádio Clube, Guilherme Guerreiro, reforça essa dimensão histórica ao falar da própria trajetória dentro da emissora.

“Eu comecei minha carreira na Rádio Clube. Comecei em 1975 aos 15 anos de idade. Então, é a minha casa. É o meu primeiro emprego. Faz parte da minha história. Comecei como estagiário, auxiliar de rádio-escuta e fui seguindo minha carreira. Entre idas e vindas, são quase 40 anos de Rádio Clube”, relata.



Para ele, a força da emissora está diretamente ligada ao papel estruturante na radiodifusão regional e nacional. “A Rádio Clube é um patrimônio do Estado do Pará e da radiodifusão brasileira. Ela construiu essa história ao longo desses 98 anos como a primeira rádio da Amazônia, a quarta do Brasil, a primeira a transmitir futebol. Sempre foi uma emissora à frente do seu tempo, com tradição no esporte e no jornalismo”, afirma.

Com uma longa trajetória, a Rádio Clube ocupa um lugar importante na história do rádio esportivo brasileiro. Ela foi a primeira emissora a transmitir uma partida de futebol no Pará, em 1932, além de marcar presença em coberturas internacionais históricas, como a Copa do Mundo de 1938 e a final da Copa de 1950. Ao longo das décadas, consolidou-se como referência de versatilidade, credibilidade e presença constante nos grandes eventos esportivos.

Hoje em dia, mesmo em um cenário de transformações tecnólogica, essa tradição esportiva segue como um dos pilares da programação. Segundo Guilherme Guerreiro, a essência permanece, mas os formatos se ampliaram. “A Rádio Clube não apenas se adaptou às plataformas digitais, ela incorporou o digital à sua história de forma cuidadosa e audaciosa. Hoje o rádio está em todas as plataformas: YouTube, aplicativo, streaming, site. O rádio é multiplataforma. Ele nunca vai deixar de existir, ele apenas encontra novos caminhos de acesso ao seu conteúdo”, destaca.

Tecnológica como nunca, popular como sempre

Essa lógica de adaptação também se reflete no jornalismo e na programação da emissora. Para o gerente de jornalismo e programação, Nonato Cavalcante, o que se vive hoje é uma evolução natural do rádio, marcada principalmente pela ampliação da participação do público. “Chegamos à chamada evolução do rádio. Hoje a Rádio Clube tem uma programação com forte participação popular. O ouvinte participa no momento em que quer, dá sua opinião. No passado eram as cartas, depois o telefone. Hoje é WhatsApp e telefone. A participação popular é muito mais efetiva”, explica.



Segundo ele, a mudança tecnológica não alterou apenas o meio, mas a própria relação com o público. “Nós estamos acompanhando a evolução do tempo e sempre caindo no gosto popular. A Rádio Clube se reinventou nos últimos 30 anos e continua líder de audiência, tanto na época da AM quanto agora no FM”, completa.

Com a migração para o FM em 2022, a emissora passou por um novo reposicionamento, sem romper com a identidade histórica dela. A atualização foi também um movimento de fortalecimento frente às mudanças no consumo de mídia, cada vez mais digital e sob demanda.

Para Nonato Cavalcante, esse processo está diretamente ligado à capacidade da emissora de entregar aquilo que o público espera. “O desafio sempre foi esse: apresentar aquilo que o público quer ouvir. A Rádio Clube tem jornalismo forte, cobertura esportiva líder e entretenimento de qualidade. São os três pilares que sustentam essa audiência”, afirma.

Ele também destaca que a credibilidade segue como diferencial da emissora em meio ao avanço das redes sociais. “A rede social não tem a mesma credibilidade que tem o rádio, a televisão e o jornal impresso. A Rádio Clube tem credibilidade na informação, no esporte e no entretenimento. Por isso ela segue na crista da onda”, diz.

Nas ondas do rádio e em todas as plataformas

Se antes o rádio era sinônimo de sintonia no aparelho tradicional, hoje em dia ele se expandiu para múltiplas telas. De acordo com o coordenador de jornalismo da emissora, Gleydson Souza, a Rádio Clube passou a atuar como uma verdadeira plataforma multiplataforma. “O conteúdo deixou de ser apenas sonoro e passou a circular em formatos diversos, incluindo vídeo e cortes para compartilhamento. O objetivo é acompanhar o comportamento do público, que hoje consome informação de forma rápida, móvel e sob demanda”, explica.

Ainda segundo Gleydson, ao longo dos últimos anos, a emissora também passou por reformulações na programação, com conteúdos mais dinâmicos, maior interatividade e fortalecimento do jornalismo e da prestação de serviço. A integração entre veículos do grupo também ampliou esse alcance e reforçou a presença da marca em diferentes plataformas.



Apesar disso, mesmo com todas as mudanças, o desafio de equilibrar tradição e inovação permanece. Para Guilherme Guerreiro, essa adaptação é parte natural da história do próprio rádio. “O rádio sempre se reinventou. Quando surgiu a televisão, disseram que ele ia acabar. Depois veio o FM, depois o digital. E ele seguiu forte. O rádio é um veículo completo, com instantaneidade, agilidade e credibilidade. Para mim, é o maior veículo de comunicação que existe”, avalia.

Tradição reinventada em novos formatos

Segundo Galydson, para uma rádio quase centenária, “se reinventar” não significa romper com o passado, mas sim preservar a essência sem perder a capacidade de adaptação. “Se reinventar significa atualizar seus formatos sem perder a essência construída ao longo de quase um século. A emissora mantém sua credibilidade e identidade, mas adapta a linguagem e os formatos para o ambiente digital”, afirma.

Pensando nos próximos anos, a Rádio Clube projeta continuidade e expansão, mantendo a essência informativa e esportiva, mas cada vez mais integrada às novas tecnologias e formas de consumo. “Nos próximos dez anos, a Rádio Clube vai seguir conquistando ouvintes sendo cada vez mais informativa, esportiva e presente no cotidiano das pessoas. O ouvinte liga, gosta e fica. Esse é o nosso objetivo”, resume Nonato Cavalcante.

Quer mais notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!

Dessa forma, entre tradição e inovação, a emissora segue consolidando um caminho que atravessa gerações, mantendo viva uma história que começou em 1928 e que segue marcando a comunicação no estado no estado do Pará e vida de muitos paraenses.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest