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Projeto Pipas leva segurança elétrica a escolas do Pará após quase mil interrupções de energia

Projeto Pipas promove atividades educativas em escolas públicas do Pará para orientar crianças e adolescentes sobre os riscos da brincadeira perto da rede elétrica.

As pipas voltam ao centro de uma campanha de prevenção no Pará diante do crescimento dos impactos provocados pela brincadeira na rede elétrica. Entre os dias 10 e 14 de agosto, o Projeto Pipas realiza uma série de ações educativas em escolas públicas de Belém, Barcarena, Altamira e Marabá, com gincanas, teatro de bonecos, entrega de brindes e oficinas de confecção de pipas. A iniciativa busca conscientizar crianças e adolescentes sobre os riscos de brincar próximo a postes, cabos e equipamentos de energia.

O projeto é patrocinado pela Equatorial Pará e realizado pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA), por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura – Semear, do Governo do Pará. A programação utiliza atividades lúdicas para aproximar informações de segurança elétrica da realidade dos estudantes, incluindo orientações sobre cuidados dentro de casa e incentivo para que o conteúdo seja compartilhado com familiares e comunidades.

Aumento de ocorrências e riscos

A mobilização ocorre em meio a um cenário de alerta. Entre janeiro e abril de 2026, a Equatorial Pará registrou 994 interrupções no fornecimento de energia provocadas pelo contato de pipas com a rede elétrica em todo o Estado. O número corresponde a uma média aproximada de oito ocorrências por dia e representa aumento de 13% na comparação com o mesmo período de 2025.

Essas ocorrências podem comprometer o abastecimento de residências, comércios, escolas, unidades de saúde e outros serviços essenciais. Além dos prejuízos ao sistema elétrico, uma pipa presa na fiação representa risco grave de acidentes, especialmente quando alguém tenta recuperá-la utilizando varas, barras metálicas ou materiais que possam entrar em contato com cabos energizados.

“Ao tocar na rede elétrica, a linha ou a pipa podem provocar curtos-circuitos e desligamentos que afetam milhares de pessoas. Além disso, tentar retirar uma pipa presa na fiação é extremamente perigoso e pode causar acidentes graves”, alerta Elton Lucena, executivo de Segurança da Equatorial. Segundo ele, a orientação é empinar pipas apenas em locais abertos e afastados da rede elétrica. Se a linha enroscar na fiação, a recomendação é acionar a distribuidora e se afastar imediatamente.

Perigos do cerol e expansão do projeto

Outro ponto reforçado durante as atividades é a proibição e o risco do uso de cerol e linha chilena, materiais que podem causar acidentes graves com pedestres, ciclistas e motociclistas. O projeto também orienta os estudantes a não empinarem pipas durante chuvas, tempestades ou em áreas próximas a postes, subestações e cabos de energia.

Nas edições realizadas em 2024 e 2025, cerca de 8 mil crianças foram conscientizadas pelo Projeto Pipas em diferentes municípios paraenses. Durante as oficinas, os participantes aprendem sobre materiais adequados para a confecção dos brinquedos e sobre os espaços mais seguros para a prática, como campos e áreas abertas afastadas da rede elétrica.

Para a presidente do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã, Liane Gaby, a proposta é transformar uma tradição da infância paraense em instrumento de educação e prevenção. “Empinar pipas faz parte da infância de muitas crianças paraenses, mas a diversão precisa acontecer com responsabilidade. Por meio das oficinas, gincanas e apresentações, conseguimos transmitir informações importantes de maneira leve e participativa”, afirma.

Ela destaca ainda que o objetivo é fazer com que os estudantes compreendam os riscos, adotem comportamentos seguros e se tornem multiplicadores desse conhecimento dentro de casa e em suas comunidades.

Em 2026, o Projeto Pipas terá uma expansão inédita. Pela primeira vez, as atividades também serão realizadas fora do Pará, alcançando escolas públicas e privadas do Maranhão, Piauí e Goiás. A programação nos quatro estados será desenvolvida durante agosto e setembro, ampliando o alcance das ações de segurança elétrica e prevenção de acidentes.

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