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Projeto “Nosso Patrimônio” transforma monumentos de Belém em maquetes colecionáveis

CRÉDITO: MAURO ANGELO / DIÁRIO DO PARÁ

Monumentos que fazem parte da paisagem e da memória da capital paraense serão transformados em maquetes colecionáveis no projeto “Nosso Patrimônio”, iniciativa do Diário do Pará que busca aproximar a população da arquitetura, da cultura e da história da cidade. A ação é promovida pelo jornal Diário do Pará e tem patrocínio da Vale. O primeiro prédio a ser publicado será a Basílica Santuário de Nazaré.

Além da Basílica, fazem parte da coleção o Fórum Landi, o Complexo dos Mercedários e o Cine Olympia. As peças serão distribuídas com a edição impressa do Diário do Pará para que o público possa montar em casa representações de alguns dos principais patrimônios históricos da capital.

Projeto “Nosso Patrimônio” e a valorização da cultura local

Segundo a gerente comercial do Grupo RBA, Patrícia Tupinambá, o projeto nasceu de uma experiência anterior realizada pelo jornal durante o aniversário de Belém, quando as maquetes foram utilizadas para apresentar de maneira diferente referências da arquitetura e da história da cidade. “Para o ‘Nosso Patrimônio’, essa ideia foi ressignificada e ampliada. Em vez de apenas conhecer esses espaços por meio de fotografias ou reportagens, o leitor passa a ter a oportunidade de levar para casa uma representação física de patrimônios que fazem parte da identidade da cidade”, explica.

A proposta não se limita à montagem das miniaturas. As peças serão acompanhadas por fascículos históricos, QR Codes e recursos de realidade aumentada, ampliando o acesso a informações sobre os monumentos. O projeto também prevê reportagens especiais no impresso, conteúdos em vídeo, redes sociais e sites do grupo.

Educação patrimonial para estudantes

Outra frente será desenvolvida diretamente com estudantes. Oficinas presenciais e itinerantes, com duração de 1h30, serão realizadas com alunos dos ensinos Fundamental II e Médio. Durante as atividades, os mediadores apresentarão a história e a importância dos monumentos, enquanto os estudantes poderão montar as próprias maquetes e levá-las para casa. “Acreditamos que as maquetes funcionam como uma ponte tátil e interativa com a história da cidade, especialmente para as novas gerações. Ao montar réplicas de prédios emblemáticos, o público constrói uma relação de proximidade e cuidado com a arquitetura local”, destaca Patrícia.

Conscientização social e preservação

Para o artista plástico, professor universitário e diretor do Sistema Integrado de Museus e Memoriais, Armando Sobral, responsável pela produção técnica das maquetes que serão publicadas no jornal, iniciativas do gênero possuem importância justamente porque a preservação de um patrimônio não depende somente da conservação física dos prédios. É necessário que a população reconheça esses espaços como parte da própria história. “A salvaguarda, a preservação do patrimônio passa pela conscientização social. E qual é o instrumento de conscientização social? É a educação patrimonial. Fazer com que o cidadão, através de dispositivos como essa maquete, possa reatar as suas relações afetivas com a cidade e com a sua memória”, afirma.

Sobral explica que o trabalho com maquetes voltadas à educação patrimonial vem sendo desenvolvido em parceria com o Diário há anos, contemplando diferentes períodos da formação arquitetônica de Belém. Para ele, a longevidade e a abrangência da iniciativa ajudam a difundir o conhecimento sobre uma cidade com mais de quatro séculos de história e diferentes conjuntos arquitetônicos.

“Belém é uma cidade de mais de 400 anos. Tem períodos ainda bastante preservados, da época colonial e também do período da opulência da borracha, da chamada Belle Époque. Esse projeto já abordou essas temporalidades da arquitetura histórica de Belém. Trazer isso de volta é muito significativo, principalmente no momento em que Belém luta pela preservação da sua memória e do seu patrimônio histórico”, avalia.

O professor chama atenção ainda para as perdas de imóveis antigos ocorridas ao longo do processo de transformação urbana. Segundo ele, quando uma edificação histórica desaparece, parte das referências utilizadas pela população para compreender a própria trajetória também é afetada. “Nós temos visto ultimamente notícias muito tristes de demolições de casarões, de edificações históricas, e isso afeta muito a comunidade e a cidade, porque eles narram e relatam um pouco das nossas ancestralidades, das nossas identidades. Então, esse é um projeto muito significativo de mobilização social e institucional”, diz.

Processo de criação e impacto na comunidade

Transformar prédios de grande complexidade arquitetônica em peças que possam ser montadas pelos leitores exige ainda um processo de adaptação. Segundo Sobral, a elaboração começa pela pesquisa e compreensão das características da construção, passando pela identificação de seus elementos artísticos e arquitetônicos mais representativos até chegar a uma versão simplificada para a montagem. “É um processo que vai da complexidade da edificação à compreensão das suas escalas, da sua dimensão física e das suas linhas formais mais elementares. Há uma preocupação didática em fazer com que o leitor do Diário consiga realizar a construção de uma maneira mais simplificada”, explica.

Para Sobral, a proposta também pode aproximar moradores que possuem pouco contato com a região histórica da capital. A expansão urbana de Belém, avalia, tornou mais distante a relação cotidiana de parte da população com monumentos concentrados nas áreas mais antigas da cidade. “Belém é uma cidade dinâmica. Nesses últimos 40 anos, ela se expandiu para áreas mais afastadas do centro, e há comunidades que às vezes nem vêm ao centro da cidade e não reconhecem esses bens como pertencentes à sua própria memória. Acho que é essa relação de pertencimento que essas maquetes podem proporcionar ao cidadão”, afirma.

Ao reunir a experiência de montar as miniaturas, informações históricas e conteúdos digitais, o “Nosso Patrimônio” pretende fazer com que os prédios ultrapassem a condição de cenário urbano e sejam compreendidos como registros da formação de Belém. Para Armando Sobral, esse tipo de iniciativa também representa uma ação de responsabilidade social. “É um trabalho muito responsável e extremamente significativo no sentido de difundir e promover a nossa arquitetura histórica e reatar relações afetivas do cidadão que mora em Belém com a sua própria memória. Penso que outras empresas deveriam seguir o exemplo do Diário neste sentido de responsabilidade social mesmo”, conclui.

Conscientização e participação da comunidade

Essa preocupação com a conservação também aparece entre os moradores. Stefanny Oliveira, 37, que visitava a área da Praça Santuário com o filho, Arthur, 7, considera que preservar os espaços públicos exige participação conjunta do poder público e da própria população. “Tem muito da população também. O governo e a prefeitura vão fazer, quando não fazem a gente cobra, mas, se não tiver consciência de cada um, infelizmente não tem como manter. É isso que falta, educação mesmo”, comenta.

Para ela, essa conscientização precisa começar ainda na infância e não pode ser responsabilidade exclusiva. “Não é só a escola, tem que vir da família também. Hoje em dia, muitos lugares estão danificados por conta das próprias pessoas”, afirma.

Cronograma de lançamento das maquetes

A coleção será formada por quatro monumentos. A Basílica Santuário de Nazaré abre a série, com peças previstas para os dias 12 e 15 de agosto. O Fórum Landi será publicado nos dias 19 e 22 de agosto. O Complexo dos Mercedários terá 3 etapas, publicadas nos dias 26 e 29 de agosto e 2 de setembro. Já o Cine Olympia encerra o cronograma nos dias 5 e 9 de setembro. O projeto “Nosso Patrimônio” conta com patrocínio da Vale, que também apoia obras de restauração dos monumentos contemplados pela iniciativa.

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