Neste domingo (9), o Dia dos Pais volta a colocar em foco as lembranças afetivas ligadas a quem cuidou de nós. Entre elas, o cheiro do pai costuma estar entre as últimas que o cérebro apaga. A explicação está na neurociência: o olfato tem ligação direta com as áreas cerebrais que processam emoções e memórias afetivas.
Diferentemente de outros sentidos, os aromas encontram um atalho para o sistema límbico, região do cérebro que reúne estruturas como a amígdala e o hipocampo. É justamente esse caminho curto que faz um cheiro específico despertar sensações e recordações de forma quase imediata, sem passar pelos filtros racionais que mediam outras percepções.
Por que a infância deixa marcas tão profundas
Boa parte dessa memória olfativa é construída ainda na infância, uma fase de grande plasticidade cerebral. Nos primeiros anos de vida, o cérebro está altamente receptivo a registrar sons, vozes e cheiros, o que ajuda a explicar por que os aromas associados a quem esteve por perto acabam gravados de maneira tão duradoura.
É o que a psicóloga Daiana Petry chama de uma espécie de assinatura emocional: o cheiro guardado funciona como um marcador de vínculo. Segundo ela, reencontrar esses aromas é também reencontrar quem somos.
‘As nossas memórias afetivas ajudam a contar quem somos. Os aromas que marcaram a infância permanecem registrados como referências de vínculo, proteção e amor. Reencontrá-los é uma maneira de reencontrar partes importantes da nossa própria história’, afirma Daiana Petry.
Ou seja, mais do que uma simples sensação passageira, o cheiro do pai se transforma em uma referência de proteção e afeto que resiste ao tempo.
O presente ainda concentra dúvidas dos brasileiros
Apesar do peso simbólico da data, a lembrança material nem sempre entra nos planos. Um levantamento aponta que 47% dos brasileiros não pretendem comprar presente para o Dia dos Pais, um dado que ajuda a dimensionar o cenário do comércio às vésperas do domingo.
Fonte: CNN Brasil
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