A morte de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, após uma cirurgia plástica em Belém, ganhou nesta segunda-feira, 31 de agosto, um dos elementos mais importantes desde o início da investigação. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) foi divulgado pela família, apontando oficialmente a causa da morte da jovem e detalhou uma sequência de complicações que começou após o procedimento cirúrgico.
A conclusão do documento é de que Giovanna morreu vítima de choque hemorrágico associado a uma síndrome compartimental abdominal, quadro provocado por uma hemorragia após a cirurgia.
Em outras palavras, o exame aponta que Giovanna sofreu um sangramento intenso no pós-operatório. O acúmulo de sangue, coágulos e hematomas na região abdominal teria provocado uma pressão crescente dentro do abdômen, comprometendo funções vitais do organismo. Essa combinação levou à piora progressiva do quadro da jovem.
Segundo o IML, o sangramento relacionado aos procedimentos cirúrgicos provocou a formação de coágulos e hematomas nos tecidos da parede abdominal. O quadro exigiu transfusão de sangue e reposição de volume. Ao mesmo tempo, a pressão dentro do abdômen aumentou de forma crítica.
Complicações e causa da morte
O laudo explica que essa pressão comprometeu a respiração, dificultou o retorno do sangue ao coração e provocou uma queda acentuada do débito cardíaco. O organismo de Giovanna entrou então em um quadro de grave instabilidade. Mesmo com as tentativas de reposição de sangue, transfusão e uso de medicamentos para manter a circulação, o quadro evoluiu para choque circulatório irreversível e morte.
A conclusão oficial do IML é direta: Giovanna morreu em decorrência de choque hemorrágico associado à síndrome compartimental abdominal, provocados por hemorragia pós-operatória após procedimento cirúrgico plástico.
O documento responde a uma das perguntas mais importantes que cercavam o caso desde a morte da empresária: afinal, o que matou Giovanna?
Próximos passos da investigação
Agora, a investigação terá de responder outra questão, ainda mais decisiva: por que essa sequência de complicações aconteceu e se algo poderia ter evitado o desfecho? É justamente nesse ponto que o laudo deve ganhar peso dentro do inquérito policial.
Giovanna havia sido submetida no dia 7 de agosto a quatro procedimentos cirúrgicos: lipoaspiração, abdominoplastia, colocação de próteses mamárias e enxerto nos glúteos. A cirurgia foi realizada pelo médico André Santana Melo. No dia seguinte ao procedimento, dia 8, Giovanna morreu.
Desde então, familiares passaram a cobrar respostas e a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar as circunstâncias da morte. O médico André Melo já prestou depoimento à Polícia Civil. Segundo o advogado da família, Marco Pina, o cirurgião apresentou sua versão dos fatos e não assumiu responsabilidade pelo que aconteceu.
A defesa do médico também havia se manifestado anteriormente afirmando que as circunstâncias da morte ainda precisavam ser esclarecidas por meio da análise técnica dos elementos do caso e que não havia, até então, conclusões que permitissem atribuir responsabilidades.
O laudo do IML acrescenta uma informação central à investigação: a causa da morte foi oficialmente definida. Isso não significa que o documento, isoladamente, determine quem deve ser responsabilizado. Essa é justamente a próxima etapa da apuração.
A Polícia Civil deverá confrontar o resultado da perícia com o prontuário médico, os depoimentos já prestados, as novas oitivas e os demais documentos reunidos no inquérito.
Antes mesmo da conclusão pericial, os advogados haviam pedido que diferentes pessoas fossem ouvidas pela Polícia Civil. Entre os pontos que devem ser esclarecidos estão as circunstâncias da cirurgia, o tempo dos procedimentos e toda a assistência prestada à paciente após a operação.
A investigação foi instaurada inicialmente com classificação provisória de homicídio culposo, hipótese que pode envolver eventual negligência, imprudência ou imperícia. Essa classificação ainda pode mudar, dependendo das provas que forem produzidas ao longo do inquérito. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
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