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O que foi o Dia da Vitória e por que ele mudou a história do mundo

Marinha celebra Dia da Vitória em cerimônia na Estação das Docas, em Belém
Foto: Celso Rodrigues

O Comando do 4o Distrito Naval realizou uma cerimônia alusiva ao “Dia da Vitória”, que celebra o término da Segunda Guerra Mundial na Europa, nesta sexta-feira (08), na orla em frente ao Espaço Memória “Corveta Solimões” (EMCS), no Armazém 3 da Estação das Docas. A data tem o objetivo de homenagear a atuação dos combatentes brasileiros no maior conflito armado do século XX. A cerimônia contou com a participação de autoridades civis e militares, e a presença de estudantes da capital. 

O Dia da Vitória simboliza a assinatura da rendição de países do grupo das Potências do Eixo e o fim da Segunda Guerra Mundial. Foi em 1942, após ter diversos navios mercantes destruídos por submarinos, que o Brasil entrou no conflito com participação inicial da Marinha. A força armada tinha o papel de escoltar e proteger os comboios de navios mercantes com rotas marítimas entre as Américas, Europa e a Costa Africana. Além disso, esta participação ficou conhecida como “Batalha do Atlântico”. 

No fim da campanha, a Marinha do Brasil escoltou 575 comboios, um total de 3.164 navios protegidos, sendo 1.577 brasileiros. Apesar dos esforços, o Brasil teve perdas consideráveis: 34 navios foram afundados causando 982 mortos, além de três embarcações militares, que resultaram na morte de 486 marinheiros brasileiros. 

Marinha celebra Dia da Vitória em cerimônia na Estação das Docas, em Belém
Foto: Celso Rodrigues

De acordo com o Vice-Almirante Adriano Marcelino Batista, comandante do 4o Distrito Naval, a cerimônia mantém viva a tradição de mostrar a colaboração das Forças Armadas brasileiras em um dos maiores conflitos da história mundial. Além disso, convida a refletir sobre essa perspectiva no atual cenário geopolítico.

“Há mais de 81 anos, nenhum de nós passou por essa experiência, mas hoje, de certa forma, o mundo se vê um pouco ameaçado pela eclosão de diversos conflitos em várias localidades. E a despeito de eles estarem distantes, a percepção que a gente tem é que eles estão muito próximos pelas restrições econômicas que eles acabam trazendo ao nosso povo”, disse. 

“Essa percepção nunca deve ser esquecida. Apesar de sermos um país pacífico e sempre pregarmos as vias democráticas e diplomáticas para resolver as nossas contendas, a gente nunca deve relegar a um segundo plano a questão da defesa .Essa cerimônia simples, mas muito significativa, homenageando as mais de mil mortes que nós tivemos nos diversos campos de batalha. No caso da Marinha, no Oceano Atlântico, o sepulcro eterno de muitos marinheiros, de muitos brasileiros, e nas terras italianas através do Exército Brasileiro, da Força Aérea Brasileira, que tiveram também um papel fundamental no desenrolar desse conflito”, complementou o Vice-Almirante Batista sobre a importância da data. 

Marinha destaca legado brasileiro na Segunda Guerra

Durante a cerimônia foi lida a ordem do dia do Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, que abordou a importância da data para o reforço da soberania brasileira. “O Dia da Vitória representa um memorável marco na luta global pela liberdade e fraternidade entre os povos. Aquele 8 de maio de 1945 foi a resposta final ao confronto entre dois polos distintos,  representados, de um lado, pela tirania e desumanidade; e, de outro, pela determinação, coragem e democracia. Felizmente, venceu o lado com o qual o Brasil sempre esteve comprometido ao longo de sua história”, disse. 

Marinha celebra Dia da Vitória em cerimônia na Estação das Docas, em Belém
Foto: Celso Rodrigues

“Por último, mas não menos importante, faço referência às personalidades e autoridades agraciadas com a Medalha da Vitória. Aceitem nossa gratidão e nosso respeito pelo mérito pessoal de estarem recebendo essa comenda, tão significativa e tão valiosa à história nacional. Essa medalha é reflexo de suas ações  de suporte à Defesa Nacional e às Forças Armadas”, finalizou a mensagem do ministro

VISITA

Após a cerimônia, estiveram presentes os estudantes da Associação de Escoteiros do Mar e crianças participantes do Programa Forças no Esporte (PROFESP), uma iniciativa do Governo Federal. Ela é desenvolvida pelo Ministério da Defesa. O programa tem foco na inclusão social e na cidadania de crianças e adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade. Na ocasião, o público fez uma visita ao navio-museu Corveta Solimões. 

Apesar de bem jovem, o estudante de 12 anos, Lucas Libório, do PROFESP, entende que o Dia da Vitória é a oportunidade de relembrar as vidas perdidas na guerra.

“O dia da vitória marca a redenção da Alemanha nazista e a conquista da paz após anos de conflitos. O Dia da Vitória serve para honrar os milhares de soldados e civis que morreram na época. Manter sua memória viva nos impede de esquecer o sacrifício dessas pessoas e nos conecta com o mundo real da guerra. O Dia da Vitória é o de agradecer pela liberdade, refletir sobre o valor da vida e reforçar nosso compromisso com um mundo mais justo e humano”, disse. 

Para a estudante Luciana Laranjeiras, 14 anos, participante do PROFESP, a data tem papel importante para a memória dos que lutaram na contenda. “É um dia memorável, um dia respeitado, graças à bravura e à coragem de todos aqueles que se foram e aqueles que lutaram pela nossa liberdade, pela nossa esperança e união em combate. Eu acho que esse dia não somente é uma lembrança, mas nós temos que carregar esse mérito no peito por todas as vidas deixadas e todas as vidas levadas, trazendo coragem para o nosso povo e lutando em frente”, afirmou. 

Marinha celebra Dia da Vitória em cerimônia na Estação das Docas, em Belém
Foto: Celso Rodrigues

Já segundo Heloisa Nogueira, estudante de 14 anos, do PROFESP, o dia marca uma vitória importante para o povo brasileiro. “Eu avalio como mais uma vitória. É muito importante para nós brasileiros que vamos carregar também no nosso peito a bravura dos soldados que lutaram em terra, ar e mar. E é muito importante nós sabermos e nós estarmos aqui comemorando o Dia da Vitória porque nós vamos comemorar também juntos com os que já se foram. E vamos estar comemorando em respeito e em memória a todos os soldados que não voltaram para suas casas”, concluiu. 

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