Quando uma pessoa descarta um resíduo na lixeira de casa, este é apenas o início do processo de destinação final do lixo. Responsável por receber o lixo doméstico coletado em Belém, Ananindeua e Marituba, o Aterro Sanitário de Marituba recebe 1.400 toneladas de resíduos diariamente, o que equivale a uma média de 40 mil toneladas por mês.
Assim que chegam ao local, os resíduos passam por uma série de etapas para o correto acondicionamento e aproveitamento de subprodutos. No local preparado de acordo com as especificações do projeto de engenharia para proteger o solo, é possível extrair o chorume e o biogás gerados pelos materiais descartados e até gerar economia através deles. Entenda como funciona o caminho percorrido pelo lixo desde a sua casa até o acondicionamento no aterro sanitário.
Coleta
Todo o lixo que chega no aterro sanitário de Marituba é proveniente de clientes devidamente cadastrados e com contrato com a empresa. Dessa forma, há um registro da origem do lixo, em conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a responsabilidade sobre o tipo de resíduo que entra no aterro. No Aterro de Marituba, são recebidos apenas resíduos classificados pelas normas como Classe II, que são os resíduos não perigosos. São resíduos sólidos domiciliares, como materiais orgânicos vindos das residências, como cascas de frutas, por exemplo.
Balança
Ao chegar ao Aterro Sanitário, os caminhões coletores das empresas cadastradas passam por uma balança conectada a um sistema rastreável e auditável, onde o operador insere o número da placa do caminhão e seleciona de qual empresa ele é. Assim, ficam registrados o peso líquido dos resíduos que entram no aterro e os documentos que precisam ser apresentados.
Trajeto
Depois de liberado, o caminhão inicia o trajeto até o local exato onde os resíduos são descarregados. Feita a descarga, o caminhão retorna para a saída, é pesado novamente e liberado para sair do aterro. Em média, o caminhão coletor costuma permanecer cerca de 30 minutos dentro do aterro.
Disposição dos resíduos
Os resíduos transportados pelos caminhões são acondicionados no aterro sanitário, uma área preparada e impermeabilizada. Depois de acondicionado, os resíduos são cobertos por uma manta tratada termicamente e que tem 0,8 mm de espessura. Depois de coberto pela manta, já é possível adicionar uma nova camada de resíduos por cima, que também são cobertos e, assim, vão se formando várias camadas.
Monitoramento
Os aterros sanitários acabam se movimentando, à medida que o resíduo acondicionado entra em processo de decomposição. Os gases gerados precisam ser retirados e, com isso, vão se criando espaços vazios dentro do aterro, o que poderia gerar deslizamentos, por exemplo. Por isso, é necessário monitorar constantemente o aterro para verificar se a quantidade correta de gás está sendo retirada, para que não haja nenhuma acomodação abrupta que possa gerar um acidente.
Diariamente, são medidas a pressão dos gases emitidos pelos resíduos e a quantidade de chorume que existe dentro do aterro. Trata-se de um monitoramento geotécnico, que monitora qualquer deslocamento, seja de 1 cm ou mais.
Coleta de subprodutos
O funcionamento do sistema de drenagem do chorume produzido pelo aterro se assemelha a um sistema de encanamento de um prédio. No solo ficam todas as tubulações e drenagens necessárias para que o encanamento possa ir acompanhando as camadas, à medida em que o aterro for subindo.
Existe uma drenagem horizontal que leva o chorume para um único ponto para ser encaminhado para a Estação de Tratamento; e existem as drenagens verticais que vão drenando o líquido das camadas superiores até abaixo, nas tubulações horizontais. Também é através de drenagens verticais que é captado o biogás gerado pelo aterro. Todo o gás sobe — em alguns casos, com auxílio de bombas de sucção — enquanto o chorume desce.
Estação de Tratamento
O chorume drenado do aterro sanitário é tratado na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) instalada lá mesmo no espaço da Guamá Tratamento de Resíduos. No local, o chorume passa por um tratamento físico-químico de filtração e polimento.
Na ETE, o chorume passa por todo o sistema convencional de uma estação de tratamento, com floculação, decantação e adição de produtos químicos no tratamento. De lá, o líquido é direcionado a lagoas com processo biológico de aeração.
Cumprido esse ciclo, a água está tratada e pode ser usada para lavar veículos, maquinário e umectar vias. A ETE instalada no espaço do Aterro Sanitário de Marituba tem capacidade para gerar cerca de 960 metros cúbicos de água de reuso por dia.
Usina de Biogás
Na usina de biogás, os gases coletados passam por um tratamento térmico que gera energia. No local ocorrem, basicamente, dois processos: a combustão do biogás para transformá-lo em créditos de carbono e a geração de energia elétrica.
Ao chegar na usina, parte do biogás coletado no aterro sanitário é direcionado para uma chaminé gigante chamada Flare (uma tecnologia importada da Itália) onde é queimado. Essa queima transforma o gás metano – que é um Gás de Efeito Estufa – em gás carbônico. E o gás carbônico, por fim, pode ser emitido para a atmosfera, gerando créditos de carbono.
Já a outra parte do biogás coletado é usada para a geração de energia elétrica, em uma usina termoelétrica montada também dentro do aterro sanitário e cuja energia abastece toda a atividade operacional do aterro, gerando ainda um excedente que é lançado na rede da concessionária de energia.
PORTAS ABERTAS
Todo esse funcionamento do Aterro Sanitário de Marituba pode ser conhecido através do programa Portas Abertas. O diretor da Guamá Tratamento de Resíduos, Reginaldo Bezerra, aponta que, através do programa, o aterro recebe mais de mil visitantes por ano. A proposta é mostrar de perto como funciona um aterro sanitário e, ainda, as tecnologias disponíveis para o tratamento de resíduos. As visitas técnicas guiadas precisam ser agendadas junto à Guamá Tratamento de Resíduos.
Conheça o programa Portas Abertas
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