Mesmo conhecido popularmente como o “mês do desgosto”, agosto já não assusta tanto como antigamente. Em Belém, entre clientes e trabalhadores do Ver-o-Peso, a percepção é de que as superstições vêm perdendo espaço para a fé pessoal e para explicações mais práticas do cotidiano.
Erveira há 45 anos, Maria Iracilda Siqueira afirma que não acredita na ideia de que o mês traga má sorte. “Sinceramente, eu não acredito. É igual sexta-feira 13, pra mim não existe isso”, disse. Apesar disso, ela reconhece que muitas pessoas ainda buscam alternativas para “abrir caminhos” ou atrair boas energias.
Segundo ela, a procura por ervas e preparados está mais ligada à busca por proteção espiritual e prosperidade do que ao medo específico de agosto. “Primeiramente tem que fazer a limpeza, tirar inveja, olho gordo. Depois usar abre-caminho, que vence tudo, qualquer demanda. E chama dinheiro”, explicou.
Iracilda também observa impacto direto no movimento do comércio. Para ela, agosto é ruim porque costuma ser um mês mais fraco de vendas. “Não é muito bom de venda. Os melhores meses são dezembro, junho e outubro. Em agosto o pessoal já gastou muito nas férias”, afirmou.
A erveira Patrícia Rego não acredita que agosto seja um mês de azar e atribui essas ideias ao passado. “Isso é coisa de antigamente. Hoje em dia é o que você acredita. Se atrair coisa negativa, vai acontecer coisa negativa”, afirmou. Para quem tem medo, ela aconselha: “Um banho de limpeza ajuda a tirar as energias negativas. É mais a fé da pessoa, o que ela mentaliza”, disse.
Dica: encara o banho de 7 ervas
Quem precisar de proteção, tanto em agosto, como no resto do ano, o certo é procurar o banho de 7 ervas. “É um banho de limpeza. A pessoa só dilui na água e toma do pescoço pra baixo, mentalizando que tá mandando embora tudo que é negativo, inveja, olho gordo, impedimentos. Depois deixa a água escorrer no corpo, troca de roupa e sai de casa para afastar aquilo de vez. Se for um banho para atrair coisa boa, faz o mesmo processo, mas mentalizando coisas positivas, abrindo caminhos”, diz.
Já Kellen Silva reforça que não vê motivo para preocupação. “Pra mim isso não existe, não tem com o que se preocupar”, declarou. Segundo ela, a procura por produtos espirituais está mais ligada a questões pessoais, como relacionamentos e inveja, do que ao calendário. “O pessoal procura mais por causa de amor ou para se proteger de inveja. Isso acontece o ano todo”, explicou.
O feirante Regivaldo Rodrigues, 65, descarta qualquer má sorte contra agosto e dá uma dica que também é certeira. “O negócio é ter fé, pé no chão e fazer uma oração”, afirma. “Quem tem Deus no coração, e fizer por onde, não precisa se preocupar com nada”, conclui.
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