A mudança no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a ganhar forma em um momento sensível do calendário político nacional: a proximidade das Eleições 2026. A atual presidente da Corte, Cármen Lúcia, marcou para a próxima terça, 14, a eleição interna que definirá os novos presidente e vice-presidente do tribunal. A posse deverá ocorrer até o fim de maio, em data ainda a ser confirmada.
Pelo sistema de rodízio adotado pela Justiça Eleitoral, a presidência do TSE será assumida pelo ministro Nunes Marques, atual vice-presidente da Corte. Já a vice-presidência deverá ficar com o ministro André Mendonça. Ambos foram indicados ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o que coloca dois nomes de sua indicação nos cargos mais altos do tribunal responsável pela organização e fiscalização das eleições no país.
O anúncio feito por Cármen Lúcia durante sessão plenária nesta quinta, 9, marca o início formal da transição administrativa. Segundo a ministra, a antecipação da escolha busca garantir previsibilidade e organização a poucos meses do pleito. “Considerando que, em 3 de junho, sobrariam pouco mais de 100 dias [para o pleito] e tendo em vista o enorme trabalho que tenho a realizar no STF, decidi iniciar agora a eleição dos novos dirigentes”, afirmou.
A medida também tem impacto direto na preparação logística das eleições, permitindo o compartilhamento antecipado de dados e o alinhamento com os tribunais regionais eleitorais em todo o país. A presidente do TSE destacou a necessidade de uma transição “serena e técnica”, evitando mudanças abruptas às vésperas da disputa eleitoral. “A mudança muito próxima ao pleito pode comprometer a tranquilidade administrativa. É preciso agir sem atropelos”, ressaltou.
A atual gestão tem sido marcada por iniciativas voltadas à celeridade processual, ao enfrentamento da desinformação e ao fortalecimento da participação feminina na política, além de medidas de combate à violência política de gênero. Essas diretrizes devem servir como base para a condução do processo eleitoral, embora a execução prática das normas passe a ser responsabilidade da nova presidência.
Em março, o TSE já havia publicado o conjunto de resoluções que irão reger as Eleições 2026. Entre os principais pontos, estão regras mais rígidas contra o uso indevido de inteligência artificial em campanhas, incluindo a proibição da disseminação de conteúdos manipulados, como deepfakes. As normas também ampliam ações afirmativas voltadas a comunidades tradicionais e quilombolas.
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