Morreu em São Paulo, nesta terça, 16, aos 82 anos, o ex-motorista da Viação Cometa, Josias Nunes de Oliveira, que passou quatro décadas tentando provar que não teve responsabilidade no acidente que matou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976.
Por muitos anos, Josias foi apontado como o motorista do ônibus que teria colidido na traseira do automóvel em que estavam JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, na Via Dutra, no trecho de Resende. A versão oficial sustentou que o acidente ocorreu após o Opala de JK perder o controle e ser atingido pelo coletivo da Viação Cometa.
No entanto, a narrativa passou a ser contestada ao longo dos anos por familiares, pesquisadores e por investigações independentes. Em 1978, a Justiça absolveu Josias por falta de provas, mas ele continuou convivendo com o estigma de ser apontado como responsável pela morte de um dos presidentes mais populares da história do país.
Comissão descarta acidente e aponta atentado
Em maio deste ano, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que Juscelino Kubitschek foi vítima de um atentado político durante a ditadura militar e descartou a hipótese de uma colisão traseira envolvendo o ônibus da Cometa. O colegiado também reconheceu que Josias foi injustamente acusado e sofreu graves consequências pessoais e psicológicas em razão dessa versão.
O relatório de autoria da relatora Maria Cecília Adão foi aprovado no final de maio, com seis votos favoráveis e uma abstenção. Com mais de mil páginas, o documento aponta fraudes na investigação da época e reforça que JK era considerado um “inimigo” do regime, levantando evidências que o carro foi atingido ou forçado a perder o controle na rodovia. A comissão iniciou o processo de alteração da certidão de óbito do ex-presidente, para que passe a constar oficialmente que ele foi morto pela ditadura militar.Humilhação e sofrimento
Luta por reconhecimento e reabertura de capítulo histórico
Em depoimentos prestados ao longo dos anos, o ex-motorista relatou as humilhações e o sofrimento provocados pela acusação. Segundo a comissão, estava em preparação um pedido público de desculpas a Josias, que agora será entregue oficialmente à sua família.
A morte de Josias encerra uma longa trajetória de luta por reconhecimento e reabre um dos capítulos mais controversos da história política brasileira, marcado pelas dúvidas em torno das circunstâncias da morte de Juscelino Kubitschek, presidente responsável pela construção de Brasília e pelo projeto desenvolvimentista que marcou o país nos anos 1950.
O post Morre ex-motorista acusado injustamente pela morte de JK apareceu primeiro em Diário do Pará.







