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Margem Equatorial ganha destaque em evento e Pará projeta novas oportunidades

O presidente da FIEPA, Alex Carvalho assinou parceria com a Firjan, representada pelo presidente Luiz Césio Caetano

FOTO: divulgação

A expansão da produção brasileira de petróleo e a abertura de novas fronteiras exploratórias deram o tom da abertura da ROG.e 2026, nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro. Entre as áreas citadas nas discussões está a Margem Equatorial, região que reúne cinco bacias sedimentares, entre elas a Pará-Maranhão, e que passou a ocupar espaço relevante no debate sobre os próximos ciclos de investimento do setor energético brasileiro.

Na cerimônia de abertura, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o Brasil alcançou, em 2025, produção de 4,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia, dos quais 3,9 milhões de barris de petróleo. Segundo ela, o volume colocou o país na nona posição entre os maiores produtores mundiais.

Em agosto de 2026, acrescentou Magda, a produção chegou a 5 milhões de barris de óleo equivalente por dia, sendo 4 milhões de barris de petróleo. A Petrobras responde por cerca de 90% da produção brasileira.

“Seguimos ampliando as nossas fronteiras. Avançamos na Margem Equatorial, onde identificamos a presença de hidrocarbonetos, estamos avançando na Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e assinamos oito contratos para exploração e produção de petróleo no mar da Costa do Marfim”, afirmou.

A presidente da estatal também chamou atenção para o peso alcançado pelo petróleo na economia brasileira. Nos últimos dois anos, o produto esteve entre os principais itens da pauta de exportações do país. Para os próximos anos, a Petrobras estuda ainda, no âmbito do Plano de Negócios 2027-2031, a possibilidade de o Brasil alcançar a autossuficiência na produção de diesel.

A ROG.e segue até quinta-feira (24), no Riocentro, reunindo representantes de empresas, instituições reguladoras, entidades empresariais e diferentes segmentos da cadeia energética. A expectativa da organização é receber cerca de 70 mil participantes e mais de 650 expositores em uma área de 117 mil metros quadrados.

O Pará está representado no evento por uma comitiva técnica e institucional do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), que participa também de agendas com empresas, entidades e órgãos ligados ao setor de petróleo, gás e energia.

Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, a discussão sobre a Margem Equatorial precisa avançar para os efeitos econômicos que uma eventual expansão da atividade poderá produzir nos estados da região.

“Mais do que acompanhar os debates nacionais do setor, nosso objetivo é inserir o Pará nas discussões sobre investimentos, conteúdo local, fornecedores, qualificação profissional, inovação e infraestrutura associadas à nova fronteira energética brasileira”, afirmou.

Segundo Carvalho, o desafio é fazer com que o desenvolvimento da cadeia produza efeitos para além da atividade exploratória.

“A expectativa é ampliar a participação de empresas paraenses, formar fornecedores, capacitar trabalhadores, atrair negócios e criar condições para que parte relevante dessa cadeia seja estruturada no Estado”, acrescentou.

Potencial de 52 mil empregos no Pará

Levantamento do Observatório da Indústria da FIEPA estima em 52 mil os empregos potenciais no Pará relacionados ao desenvolvimento da Margem Equatorial.

A região é formada por cinco bacias sedimentares e tem potencial estimado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em cerca de 30 bilhões de barris.

De acordo com dados reunidos pelo Observatório, o planejamento da Petrobras prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, além da perfuração de 15 poços exploratórios até o fim do período.

O Pará também já possui participação significativa na matriz elétrica nacional. O Estado concentra 9,5% da capacidade instalada de geração de energia elétrica do Brasil, a terceira maior participação entre as unidades da Federação.

O levantamento chama atenção ainda para a posição de Belém dentro dessa nova configuração. Segundo o documento, a capital paraense reúne potencial portuário e uma rede de serviços que podem ser demandadas em operações offshore, realizadas no mar e afastadas da costa.

A eventual expansão das atividades na Bacia Pará-Maranhão amplia, porém, a necessidade de investimentos em logística, infraestrutura, qualificação profissional e preparação de empresas locais para atender aos padrões exigidos pela indústria de petróleo e gás.

“A perspectiva de futuras operações na Bacia Pará-Maranhão reforça esse posicionamento e amplia a necessidade de preparação da economia local”, afirmou Alex Carvalho.

FIEPA e Firjan firmam parceria para fornecedores

Dentro dessa agenda, FIEPA e Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) assinaram, nesta segunda-feira, uma parceria para mapear empresas paraenses com potencial de atuação nos mercados de petróleo, gás, energia e indústria naval.

O projeto prevê levantamento das capacidades existentes no Estado, identificação de lacunas e análise de requisitos como documentação, certificações e condições técnicas exigidas pelas grandes empresas da cadeia.

A experiência do Rio de Janeiro, um dos principais centros brasileiros da indústria de petróleo e gás, deverá servir de referência para o trabalho.

O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, afirmou que o conhecimento acumulado pelo setor fluminense pode contribuir com estados que começam a se preparar para novas oportunidades de produção.

“Temos uma expertise que pode ser compartilhada com os demais estados que hoje têm a oportunidade de se tornar produtores de petróleo. Que este momento seja inspirador para novos projetos de desenvolvimento e de grandeza para o Pará, para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Essa fronteira petrolífera que se descortina na Margem Equatorial traz uma oportunidade muito importante”, afirmou.

Para Alex Carvalho, a parceria ocorre em um momento de preparação da indústria local para uma possível ampliação dos investimentos no setor.

A iniciativa prevê ainda uma etapa no Pará destinada à aproximação entre compradores e fornecedores, além de orientação para empresas interessadas em participar da cadeia.

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