Uma negociação milionária envolvendo a Jequiti movimentou o mercado empresarial neste fim de semana. Informações publicadas pelo colunista Flávio Ricco, do Portal LeoDias, apontam que a empresa de cosméticos do Grupo Silvio Santos teria sido negociada com o Grupo José Alves, conglomerado empresarial de Goiás, por aproximadamente R$ 536 milhões. O Grupo Silvio Santos, porém, negou oficialmente que a venda tenha sido concretizada e afirmou que a companhia permanece sob seu controle.
A informação inicial foi publicada na sexta-feira (28). Segundo a coluna, fontes do mercado asseguraram que o Grupo José Alves chegou aos valores e às condições pretendidas pela família Abravanel depois de anos de tentativas para encontrar um comprador para a fabricante de cosméticos. O próprio texto, entretanto, afirmava que a operação estava “próxima de sair”, indicando que etapas ainda precisariam ser concluídas.
A notícia repercutiu em diferentes veículos ao longo de sábado (29), alguns dos quais chegaram a tratar a transferência como concluída. O cenário mudou após manifestação oficial do Grupo Silvio Santos.
Grupo Silvio Santos nega venda
Em posicionamento divulgado após a repercussão, o Grupo Silvio Santos afirmou que a Jequiti não foi vendida e que suas operações continuam normalmente. A assessoria também informou ao Terra que a empresa permanece sob gestão do conglomerado fundado por Silvio Santos.
Flávio Ricco, por outro lado, manteve sua apuração. Em nova publicação neste sábado (29), o colunista afirmou que informações de bastidores indicam a existência de tratativas e mencionou uma possível participação da XP em eventual operação. A coluna também cita uma carta-fiança que teria sido apresentada por John Alves, filho de José Alves, ao Grupo Silvio Santos. Esses detalhes, entretanto, não foram confirmados oficialmente pelas empresas envolvidas.
Jequiti nasceu com Silvio Santos
Fundada por Silvio Santos em 6 de outubro de 2006, a Jequiti tornou-se uma das empresas mais conhecidas do conglomerado da família Abravanel. A companhia atua principalmente no segmento de venda direta de cosméticos e construiu sua expansão com forte integração comercial e publicitária com o SBT.
A ligação com a televisão tornou-se uma das principais vitrines da marca. Entre 2008 e 2017, o programa “Roda a Roda” incorporou a Jequiti ao nome e posteriormente voltou a utilizar a denominação entre 2021 e 2024.
Dados do relatório de sustentabilidade 2024/2025 do próprio Grupo Silvio Santos mostram a dimensão alcançada pela operação. A empresa informou possuir mais de 200 mil consultoras e consultores, portfólio superior a 400 produtos e mais de 23,5 milhões de pedidos enviados à força de vendas.
O documento também aponta que a Jequiti respondeu por 20% do faturamento do Grupo Silvio Santos em 2024, evidenciando o peso da companhia dentro do conglomerado.
CIMED tentou comprar
A possibilidade de venda da Jequiti não é recente. Em 2024, a empresa ficou próxima de ser adquirida pela farmacêutica Cimed. As negociações avançaram durante meses, mas o acordo acabou não sendo concretizado.
Segundo João Adibe, presidente da Cimed, as conversas duraram aproximadamente seis meses. A companhia pretendia utilizar a estrutura de venda direta da Jequiti para ampliar a distribuição de produtos de seu portfólio.
A coluna de Flávio Ricco sustenta que a família Abravanel continuou procurando uma solução para o negócio e atribui essa movimentação a dificuldades enfrentadas pela empresa. O Grupo Silvio Santos, contudo, não confirmou publicamente as alegações sobre a situação financeira citadas pela coluna.
Quem é o grupo apontado como comprador?
O Grupo José Alves, apontado como interessado na Jequiti, é um conglomerado familiar fundado em 1962, em Goiás. Atua em setores como bebidas, indústria farmacêutica, educação, tecnologia, mercado imobiliário e indústria.
Uma de suas principais empresas é a Refrescos Bandeirantes, fabricante e distribuidora dos produtos Coca-Cola em Goiás e Tocantins. O conglomerado também reúne negócios como Vitamedic, Unialfa e 3T Systems.
A eventual aquisição representaria a entrada do grupo de forma relevante no mercado de beleza e cosméticos e colocaria sob seu comando uma marca nacional com uma extensa rede de venda direta.
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