O acolhimento oferecido por Teddy, um Golden Retriever de um ano, passou a integrar a rotina do Fórum Estadual de Justiça de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Identificado por um crachá como “cão de assistência judiciária”, ele participa uma vez por semana de audiências com crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência, ajudando a reduzir o estresse provocado pelo ambiente forense e pela necessidade de relatar experiências traumáticas.
Durante as oitivas, uma cadeira é reservada para Teddy ao lado da vítima. Com crianças e adolescentes, o apoio começa antes do depoimento especial, quando elas podem brincar com o animal, e continua após o relato. A presença do cão também oferece conforto aos menores que aguardam atendimento e é utilizada principalmente em processos relacionados a crimes sexuais e outras formas de violência.
Humanização da Justiça com apoio animal
A juíza Noeli Reback, diretora do Fórum de Ponta Grossa e titular da Vara da Infância e Juventude, afirma que o animal contribui para humanizar o atendimento. Segundo a magistrada, o sofrimento causado pelo fato investigado é agravado pela formalidade do fórum. “O que o Teddy faz é minorar essa situação, trazendo leveza e conforto”, explicou.
A iniciativa foi idealizada pelo advogado Renato Aparecido Borges, tutor de Teddy, e começou a ser estruturada quando o cachorro tinha três meses. O projeto foi apresentado e aprovado em 10 de setembro de 2025, com participação da escola para cães Lilac Pet, e acabou formalizado por termo de cooperação, inspirado em uma experiência pioneira desenvolvida em Londrina.
Impacto emocional e benefícios ampliados
Em um dos atendimentos, uma mulher vítima de agressão chorou ao encontrar o cão na sala. O companheiro dela também teria agredido o animal de estimação da vítima. Teddy se aproximou e a acolheu, episódio descrito por Renato como uma demonstração concreta do vínculo criado pelo apoio emocional. “É muito impactante perceber como ele pode ajudar”, relatou o advogado.
Além das audiências, Teddy participa de atividades com crianças disponíveis para adoção e tornou-se conhecido entre servidores, magistrados e frequentadores do fórum. Para o tutor, o trabalho do “cãolaborador” beneficia não apenas as vítimas, mas também melhora o ambiente institucional e oferece acolhimento a quem circula diariamente pelo Judiciário.
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