O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) oficializou, por meio de uma nova normativa técnica, a classificação do pirarucu (Arapaima gigas) como espécie invasora em bacias hidrográficas situadas fora do seu habitat natural, que compreende a bacia amazônica brasileira.
Com essa decisão, o órgão ambiental autoriza o abate e o controle populacional do peixe em reservatórios, rios e lagos das regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul, onde a introdução acidental ou deliberada da espécie tem causado desequilíbrios ecológicos severos.
O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo, podendo atingir até três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos, o que o torna um predador de topo altamente voraz, capaz de dizimar populações de peixes nativos em ecossistemas que não possuem defesas naturais contra o seu comportamento de caça.
Impacto em bacias dos Rios São Francisco e Paraná
A medida do Ibama responde a uma preocupação crescente de biólogos e gestores ambientais sobre o impacto do Arapaima gigas em bacias como a do Rio São Francisco e do Rio Paraná. Nestes locais, o pirarucu compete por alimento e espaço com espécies endêmicas e consome grandes quantidades de alevinos de peixes comercialmente importantes para as comunidades ribeirinhas locais.
De acordo com a nova regra, o abate está liberado sem as restrições de defeso ou tamanho mínimo que são aplicadas rigidamente dentro da bacia amazônica, onde a espécie é protegida e alvo de planos de manejo sustentável. Fora da Amazônia, a presença do peixe é considerada um risco à biodiversidade, pois ele altera a cadeia alimentar e pode levar à extinção local de espécies menores que não conseguem coexistir com um predador de tal magnitude.
Medidas de Controle do Pirarucu fora da Amazônia
Além da autorização para o abate por pescadores profissionais e amadores nessas áreas específicas, o Ibama também estabelece diretrizes para o transporte e a comercialização do pirarucu oriundo dessas capturas de controle. O objetivo é evitar que o incentivo ao abate crie um mercado que estimule novas introduções ilegais da espécie em outros reservatórios brasileiros.
Especialistas do instituto explicam que a espécie possui uma biologia resistente, conseguindo respirar ar atmosférico, o que facilita sua sobrevivência em águas com baixo nível de oxigênio onde outros peixes pereceriam. Essa característica aumenta seu potencial invasivo em represas de hidrelétricas e canais de transposição.
A fiscalização ambiental continuará rigorosa dentro da Amazônia para garantir que o manejo sustentável siga protegendo o estoque nativo, enquanto fora dela, o foco passa a ser a erradicação ou redução drástica das populações invasoras.
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