A Hapvida entrou na Justiça de Minas Gerais contra o Daniel Vorcaro e passou a cobrar cerca de R$ 11 milhões em dívidas relacionadas à venda da rede Promed, realizada pela família Vorcaro. Além disso, os advogados da operadora pediram que a Justiça expeda carta precatória para citar o empresário diretamente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ele permanece preso.
No mesmo processo, a Justiça também incluiu Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e Natália Vorcaro, irmã dele, como réus. Ambos já foram alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, e tiveram bens bloqueados durante as investigações.
A Hapvida comprou a Promed por aproximadamente R$ 1 bilhão, valor exato de R$ 1.000.385.531, além de assumir cerca de R$ 500 milhões em dívidas. O negócio foi fechado em maio de 2021 e distribuiu a maior parte dos valores entre Daniel Vorcaro, que ficou com 32%, o pai, com 42%, e a irmã, com 10%. No entanto, a empresa pagou apenas uma pequena parcela em dinheiro, cerca de R$ 65 milhões. O restante ocorreu por meio da transferência de ações da Hapvida.
Somente Daniel Vorcaro recebeu 13 milhões de ações ordinárias da Hapvida Participações e Investimentos, negociadas na bolsa brasileira sob o código HAPV3. Esse modelo de pagamento, comum em operações de grande porte, abriu espaço para revisões contratuais periódicas, previstas como mecanismos de ajuste financeiro.
O contrato estabeleceu revisões nos chamados aniversários da negociação. Até maio de 2023, a família Vorcaro acumulou uma dívida de R$ 83 milhões e efetuou o pagamento. Depois disso, porém, novos cálculos alteraram novamente o saldo.
A operadora afirma que os valores voltaram a favorecer a empresa e aponta uma nova pendência superior a R$ 22 milhões.
Parte desse montante foi descontada de Daniel Vorcaro em fevereiro deste ano. Ainda assim, segundo a empresa, restaram aproximadamente R$ 12 milhões em aberto. A Hapvida sustenta que as perdas decorrem de processos judiciais e despesas legais assumidas após a aquisição.
Conforme explicou a operadora, “Em resumo, elas são perdas decorrentes de perdas incorridas em processos judiciais e do pagamento de honorários contratuais a advogados”.
Crise interna e pressão da Squadra Participações
Enquanto a disputa judicial avança, a crise interna da empresa ganhou um novo capítulo. Na quarta-feira, 1º de abril, a gestora Squadra Participações, que detém cerca de 5,5% das ações da operadora, publicou uma carta pública em seu site e aumentou a pressão sobre a direção da companhia.
O documento cobra mudanças imediatas na estratégia de gestão e questiona decisões financeiras recentes.Na avaliação da gestora, houve “alocação de capital em fusões e aquisições que diluíram de forma relevante a exposição dos acionistas à operação original e destruíram valor econômico expressivo”.
A carta também aponta falhas operacionais e perda de eficiência nos negócios.Os dados apresentados reforçam o cenário de deterioração. Desde o lançamento das ações da empresa na bolsa, há oito anos, o papel acumulou queda de cerca de 85%.
No mesmo período, o índice Ibovespa registrou valorização aproximada de 120%. Para a Squadra, esse contraste evidencia problemas estruturais e estratégicos na companhia.Entre as críticas, a gestora destacou a “deterioração notável dos resultados operacionais e financeiros, acentuada no último ano”, além da “elevação significativa da alavancagem financeira” e da “aparente falta de visibilidade da administração sobre a situação de seus negócios”.
Posicionamento da Hapvida e de Daniel Vorcaro
Procurada, a defesa da Hapvida decidiu não comentar o caso. Já os representantes de Daniel Vorcaro informaram que ele também não se manifestaria sobre o processo neste momento.
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